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sábado, 2 de agosto de 2008

O Enigma do Horizonte (1997)



Nome: O Enigma do Horizonte (Event Horizon).
Diretor: Paul W.S. Anderson.
Gênero: Horror/Ficção Científica/Suspense/Mistério.
Elenco: Laurence Fishburne, Sam Neill, Joely Richardson, Jason Isaacs e outros.
Nota: 3 estrelas.
Página no IMDb

Ficção científica e horror parecem dois campos impossíveis de funcionarem lado a lado; a tentativa feita pelo diretor Paul W.S. Anderson, no entanto, é bastante impressionante. Mais do que um filme de ficção científica, trata-se de um horror ambientado no espaço.

Estamos em 2047. A Terra já firmou sua primeira colônia na Lua, Marte é explorado economicamente e, sete anos antes, uma nave espacial chamada Event Horizon foi construída e enviada para pesquisas pelo universo - projetada para ir muito mais além do que suas antecessoras. A expedição, no entanto, transforma-se no maior desastre espacial da história quando a nave desaparece sem deixar sinal, próximo de Netuno.

Voltando ao ano de início da história, somos apresentados ao doutor William Weir (Sam Neill), convidado a bordo da nave Lewis and Clarke que por sua vez é comandada pelo capitão Joe Miller (Laurence Fishburne) e sua tripulação. Todos os integrantes da nave foram retirados das suas férias e forçados em uma missão até Netuno, sem saber direito os motivos ou as ordens que estão por trás de tudo.

É numa breve reunião que o doutor Weir explica à tripulação toda a verdade: as notícias sobre a Event Horizon ter explodido devido a um superaquecimento dos seus motores era mentira; ela, na verdade, havia desaparecido por completo e sem dar qualquer sinal - até o momento. Uma transmissão de áudio foi captada, proveniente da nave perdida. Uma edição desse arquivo de áudio dava a impressão de que uma voz humana pedia por socorro, falando em latim.

A Event Horizon foi contruída não para pesquisas, mas sim como um projeto secreto do governo; a nave foi feita com um motor específico que faria com que fosse possível viajar na velocidade da luz - mas sem quebrar as leis da física. A nave foi equipada com um gerador de buracos negros, que poderia distorcer o espaço-tempo de forma a possibilitar viagens em uma rapidez absurda, criado pelo Dr. Weir.

Após quase sessenta dias de viagem, a tripulação da Lewis and Clarke chega à Netuno, encontrando a Event Horizon flutuando na órbita do planeta. Como as varreduras por sinais vitais parecem estranhas, o capitão decide que a busca por sobreviventes deverá ser feita nos moldes antigos: andando por cada compartimento da nave com um time de busca. Levando consigo outros dois tripulantes, a equipe chega à nave abandonada.

De início, as impressões são sombrias; ninguém aparenta ter sobrevivido. A área médica parece nunca ter sido utilizada e o time de busca encontra pedaços de corpos humanos e tudo mais congelados, cristalizados devido ao problema com o aquecimento interno da nave. Enquanto isso, Justin (Jack Noseworthy) explora a engenharia da Event Horizon, descobrindo uma misteriosa esfera preta com três anéis metálicos girando constantemente ao seu redor: é o mecanismo criador de buracos negros - que surgem sempre quando os anéis se alinham sob o controle do capitão.

O curioso tripulante toca o centro da esfera, que parece feita de algum material líquido - mas, ao tocá-la por uma segunda vez, ele é sugado para dentro da mesma; a tripulação percebe que algo está errado e imediatamente vai resgatá-lo, mas algo dá muito errado na volta - uma estranha explosão combinada com a volta de Justin acaba por danificar severamente a Lewis and Clarke, forçando o resto dos tripulantes à migrarem para a Event Horizon.

Os sistemas básicos voltam à nave, como o gravitacional e o de ventilação, mas há um problema: o ar da nave será suficiente para apenas 20 horas, ficando tóxico para seres humanos depois disso em razão da concentração de gás carbônico. Começa, então, uma corrida contra o tempo para consertar a Lewis and Clarke e ir para casa, já que obviamente não há ninguém que precisa ser resgatado ali.

Coisas estranhas começam a acontecer também; ao seu modo, quase todos os tripulantes vêem pessoas conhecidas ou flashes de cenas dantescas, envolvendo sangue e dor. A primeira a passar por isso é a oficial médica Peters (Kathleen Quinlan), que acredita ter visto seu filho na nave; Justin, internado e sob obversação dela e de D.J. (Jason Isaacs), o outro médico, parece ter entrado em um estado de choque desde a sua experiência com o núcleo da nave; Dr. Weir tem visões da sua esposa e o próprio capitão tem lembranças perturbadoras do seu passado.

Enquanto a Lewis and Clarke segue sendo consertada por dois tripulantes, a Tenente Starck (Joely Richardson) fala de sua teoria sobre os sinais vitais esquisitos da nave para o capitão: o fato da origem dos sinais obtidos não ser identificada só pode dizer que vem da própria nave, como se esta estivesse efetivamente viva e reagindo a cada um dos tripulantes. Há, também, a possibilidade de que ela tenha trazido algo de volta da sua viagem de sete anos pelo buraco negro.

Os ânimos esquentam na Event Horizon; enquanto o Dr. Weir credita todas essas ilusões ao nível de gás carbônico que vem aumentando e a tensão nascida do risco de não se voltar para casa, outros acreditam que se trata de algo muito real para ser apenas imaginação. Nesse meio tempo, Justin acorda do seu estado de choque e tenta se suicidar, murmurando durante todo o tempo sobre "o lugar para onde ele foi", sobre "a escuridão dentro dele" e como ele não deseja voltar para esse lugar. Muito provavelmente Justin esteve onde a nave passou os últimos 7 anos, desaparecida.

O tripulante quase morre - mas tem suas condições estabilizadas por D.J., que tem uma conversa reveladora com o capitão; enquanto este fala que viu coisas que nunca tinha contado para ninguém (o que quer dizer que a Event Horizon provavelmente sabe o que vai na cabeça de cada um, materializando seus segredos e medos), o outro confessa que entendeu errado a mensagem em latim que todos ouviram no início da viagem: tendo sido ele o tradutor do arquivo de áudio, D.J. corrige sua versão inicial para algo que é, na verdade, "salvem-se do inferno".

O conserto da Lewis and Clarke finalmente termina e a tripulação se prepara para voltar, particularmente ansiosa depois de ter assistido a um vídeo recuperado da Event Horizon que mostra os antigos tripulantes sendo brutalmente assassinados por um estranho ser cheio de cicatrizes - o autor da frase em latim. Ao abortarem a missão e receber a ordem de abandonar a nave para voltar para casa, o Dr. Weir fala que ele está em casa, começando a agir de uma forma suspeita.

Um por um, a maioria dos tripulantes começa a alucinar e/ou então sofrer ataques do Dr. Weir, que, após a morte de Peters, arranca os próprios olhos e começa a perseguir os tripulantes da Lewis and Clarke, enquanto inicia uma contagem regressiva para fazer o retorno da nave para onde ela esteve nos últimos anos. O capitão, porém, percebe algo de errado e alerta a tripulação, buscando separar os decks frontais da Event Horizon do resto da mesma como medida de segurança - o próprio doutor havia explicado que a nave possuía esse mecanismo mais cedo.

As seqüências finais lidam com mais aparições, sangue e pesadelos - a maioria sobre o inferno, já que foi essa a dimensão paralela onde a Event Horizon esteve. O final do filme, de uma maneira geral (bem como a sua estrutura), me lembra Sunshine, outro filme que trata de uma expedição espacial - mas com uma missão diferente (e feito em 2007, dez anos após este).

Eu sou facilmente assustada por filmes de terror e admito que não sabia de que estava assistindo um até certo tempo depois; no começo, eu estava convencida de que se tratava mais de um representante do gênero de ficção científica, esse sim um campo que eu adoro. Mas tenho que confessar que, embora não seja nada extraordinário, O Enigma do Horizonte realmente assusta em alguns momentos.

O mistério todo relacionado à Event Horizon funciona bem; durante a primeira hora do filme, as visões da tripulação, a tensão dentro das naves e a contagem regressiva em relação ao ar "respirável" criam um clima de apreensão excelente para esse tipo de filme - a platéia eventualmente se assusta junto com os personagens. Mas nos vinte minutos finais, eu tenho a sensação de que o filme poderia ter sido cortado sem prejuízos - afinal, os diálogos ficam estranhos e as motivações dos personagens mais ainda.

Laurence Fishburne e Sam Neill são os atores com mais destaque em cena; ambos acrescentam algo ao filme com suas atuações, especialmente Laurence; é impossível para mim, no entanto, não ligar o seu papel como o capitão Miller aqui ao seu Morpheus de Matrix, mesmo sabendo que a trilogia foi feita depois; ambos são capitães de naves que agem de uma forma muito semelhante para não serem comparados, sem contar que é esse tipo de personagem (autoritário, em posição de poder e de caráter mais militar) que se transformou na sua marca registrada como ator.

O Dr. Weir de Sam Neill também me impressionou; gostei particularmente da mudança que se opera nele do início para o final do filme, assumindo contornos macabros e bem perturbadores; o mesmo não digo de Joely Richardson, que não me convenceu muito com a sua tenente - a personagem é fraca e sem muito de interessante a acrescentar, ficando um pouco presa ao estereótipo de personagens femininas de séries de ficção científica. Mas está aí outro ponto fraco: ninguém se preocupou muito em fazer bons personagens com boas histórias - eles estão lá simplesmente para serem mortos e exibidos ao público depois, sem criar grandes laços com a platéia a ponto de que ela se identifique com algum deles. O personagem de Richard T. Jones é o responsável pelas poucas partes cômicas e se sai bem nelas.

Jason Isaacs é alguém que eu não posso honestamente criticar com imparcialidade; eu simplesmente acredito que ele está perfeito em todos os seus papéis, mesmo com o seu estranho médico. D.J. é um dos poucos que não é assombrado e parece pouco disposto a acreditar em aparições, sendo um personagem mais consistente - mas sofre do mesmo mal: falta de história pessoal, motivos, justificativas - enfim, tudo aquilo que colabora para que um personagem fictício tenha, de fato, três dimensões.

A fotografia e a trilha sonora são boas e combinam com o tipo de filme; os tons sombrios predominam de uma forma assustadora e todos os clichés do gênero são utilizados (da falta de luz nas naves aos ângulos de câmera que sempre mostram os personagens se assustando de forma que a platéia também se assuste). Na minha opinião, o filme poderia dispensar a maioria das cenas envolvendo carnificina - não sou fã desse tipo de coisa, confesso; mas acho que o suspense psicológico e os sustos e traumas são muito mais assustadores do que gente sendo dissecada viva.

Mesmo não sendo uma grande fã do gênero, dá para ver que o final desanda; deu a impressão de que queriam fazer algo muito mais grandioso, sangrento e macabro do que realmente ficou. Mas ele realmente assusta, faz arrepios descerem a espinha e, finalmente, faz jus à tagline "espaço infinito - terror infinito".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O Beijo da Traição (1998)



Nome: O Beijo da Traição (Judas Kiss).
Diretor: Sabastian Gutierrez.
Gênero: Policial/Drama/Suspense.
Elenco: Carla Gugino, Simon Baker, Alan Rickman, Emma Thompson e outros.
Nota: 3 estrelas.
Página no IMDb

O começo pode lembrar um pouco o estilo de Quentin Tarantino, mas a impressão passa com o desenrolar do filme; trata-se, afinal, de algo muito diferente. Logo de cara, assistimos a dois homens e uma mulher seqüestrarem um rapaz, atirarem numa mulher que descia as escadas e que os viu e correrem para um caminhão no estacionamento do prédio, onde um quarto integrante da trupe aguardava.

A única seqüestradora, então, começa a conversar com Jesus e a explicar o quê está acontecendo para ele e para a audiência. Ela é Coco Chavez (Carla Gugino), uma linda mulher que ganhava a vida até então criando armadilhas para divórcios com o namorado, Junior Armstrong (Simon Baker), onde ela normalmente seduzia o marido e o namorado aparecia para tirar fotos e apresentar as fantásticas demandas da mulher "traída".

No entanto, é Coco quem tem a idéia de mudar de ramo, partindo para o seqüestro: afinal, apenas um deles bem-feito e o resgate pode ser suficiente para uma vida inteira na beira da praia com um martini na mão. O casal primeiro convence Lizard Browning (Gil Bellows) e depois Ruben Rubenbauer (Til Schweiger) - o primeiro competente e intimidador quando ao telefone; o segundo assustadoramente estúpido e capaz das coisas mais bizarras.

Entram em cena logo depois a dupla encarregada de solucionar tanto o seqüestro quanto o assassinato da mulher que descia as escadas logo no começo do filme: são eles Sadie Hawkins (Emma Thompson), agente do FBI e David Friedman (Alan Rickman), detetive da polícia. Forçados a trabalherem juntos por suas tarefas estarem aparentemente ligadas, a troca de informações entre eles é o que vai ajudar a chegar ao eventual desenlace do caso.

Enquanto isso no cativeiro, Coco não está nada bem. Tendo matado pela primeira vez, ela se sente estranha e tenta aliviar a tensão de várias maneiras, seja fazendo sexo com o namorado ou procurando confortar a vítima do seqüestro com conversa (cujo resgate está orçado em "apenas" quatro milhões). Quem cuida do resgate é justamente Walters (Joey Slotnick), um funcionário leal e muito azarado que é acompanhado constantemente pela agente Hawkins, cujos conselhos ou pioram a situação ou então deixam o pobre mediador ainda mais nervoso.

Enquanto o FBI trabalha contra o relógio para encontrar o paradeiro do milionário desaparecido, o detetive Friedman vai atrás de pessoas que conheciam a mulher assassinada. Conversando com sua melhor amiga, ele eventualmente descobre que ela e o homem seqüestrado tinham um affair secreto, sendo terça-feira o dia dos encontros proibidos do casal. Intrigado, o detetive vai atrás do marido da mulher assasssinada, o senador Rupert Hornbeck (Hal Holbrook), depois de ter reunido provas do affair - somente para ser mal-tratado e ameaçado pelo viúvo ao tentar compartilhar as evidências encontradas (ligações telefônicas em um padrão constante entre os dois amantes).

O detetive começa a suspeitar de algo e vai atrás do colega que está substituindo - desde o início ele deixou bem claro que não queria aquela tarefa, mas seu chefe o forçou a assumi-la porque o outro detetive havia se machucado. Com alguma persuasão, ele descobre que o machucado do outro detetive é uma farsa, o que só aumenta as suas suspeitas.

A agente Hawkins, enquanto isso, se prepara junto com Walters para a entrega do resgate. O problema é que do outro lado, Lizard fica mudando os locais para onde o resgate deve ser levado, forçando tanto o FBI quanto o funcionário a correrem para diversos locais diferentes, de uma borracharia a um motel de beira de estrada, sempre cumprindo o horário espeficificado no telefonema para não correr riscos do pobre seqüestrado ser assassinado enquanto isso.

Junior e Ruben acompanham Walters, sempre escondidos da vista do mesmo, fornecendo por telefone os dados que Lizard precisa para convencer o FBI e o resto dos interessados no final do seqüestro de que ele está bem perto - e observando tudo. Coco permanece com a vítima no cativeiro, especialmente preocupada com o namorado e pensando no dia em que eles se conheceram, bem como os diversos momentos que eles já passaram juntos.

Walters consegue, em determinado momento, entregar a maleta cheia de dinheiro da forma como os seqüestradores haviam pedido, lançando-a de um trem em movimento sobre uma ponte. Ruben e Junior pegam a pasta, fugindo dos tiros e dirigindo apressadamente para longe dos agentes do FBI. É dentro do carro que Junior tem um problema, precisando descer para pegar algo no porta-malas do carro, deixando o outro seqüestrador com o dinheiro dentro do veículo - somente para aproveitar a pequena parada para matar Ruben, pegando o dinheiro, trocando de carro e sumindo dali. É o primeiro momento em que o título faz sentido com a trama.

O detetive Friedman, a essa altura, já desconfia bastante do senador, especialmente após uma conversa reveladora com seu chefe. Seguindo-o discretamente, ele percebe que, para começo de conversa, o seqüestro e o assassinato estavam interligados - bem como foi ele o responsável por orquestrar ambos. Do outro lado, é Junior quem está facilitando as coisas, deixando Coco e Lizard desarmados e revelando o local do cativeiro.

Mas Coco prova que não é apenas bonita - tem cérebro também. Em uma breve conversa com a sua pobre vítima, ela descobre sobre o affair que ambos mantinham, bem como a data dos encontros: terça-feira. Lentamente, ela se lembra de como o seqüestro havia sido planejado, Junior manipulando-a de forma que ela acreditasse que aquele seria um dia como qualquer outro e não um especial. Chocada com a possibilidade da traição, ela corre para as armas que haviam sido deixadas na casa e descobre todas sem munição, correndo em direção ao carro onde ela deixava um revólver de reserva.

Enquanto isso, os capangas do senador chegam ao cativeiro, dando início a torturas e todo tipo de humilhação por parte do político, que transmite sua voz por um rádio. Ao mesmo tempo, tanto Friedman quanto Hawkins já perceberam a trama, mas um acidente de carro que deixa ambos em condições improváveis de continuarem com a perseguição automobilística.

Prosseguir com o relato da história seria entregar o final por completo, coisa abominável quando se trata de um suspense. É, aliás, um noir que tem na traição o seu principal mote - afinal, quem está traindo quem no filme? A corrupção também corre solta, sobrando nos personagens de Alan Rickman e Emma Thompson a pouca decência das duas coorporações que representam e que parecem ter sucumbido ao poder do dinheiro.

É essa dupla também a responsável pelos melhores momentos de comédia do filme; seus diálogos são afiados e rápidos, regados com uma familiaridade que esses dois grandes nomes do cinema britânico não conseguiram de um dia para o outro: sua amizade dentro e fora das telas contribuiu para uma química invejável entre eles.

Já Carla Gugino funciona como a mulher fatal e com roupas coladas que é de praxe nesse tipo de filme; sua atuação, no entanto, não é espetacular a ponto de carregar o filme como narradora. Talvez, em um papel de menor destaque, essas falhas não seriam tão facilmente notadas. A Simon Baker também falta firmeza, na minha opinião; o jeito como ele atua durante todo o filme me parece forçado, demonstrando sempre a mesma cara e as mesmas reações em todos os pedaços.

O maior problema não é tanto com o elenco e sim mais com o enredo - o filme, para um seqüestro, se passa devagar demais. Com apenas uma trama principal, ela não poderia se desenrolar tão lentamente, descaracterizando o gênero. Os personagens também são mal apresentados, não ficando muito para o espectador descobrir, entender e apreciar cada um - salvo, talvez, pelo par já destacado e formado por Rickman e Thompson.

A localidade (Nova Orleans) também se mostra um pouco ingrata. O valor dado à paisagem foi mínimo, podendo muito bem ter se passado em qualquer lugar menos marcante (e mais barato). Os trechos aleatórios de um filme pornô com alienígenas, se muito, dão um tom de bizarro que não casa exatamente com o resto da trama - outra coisa que poderia ter sido dispensada.

No geral, é um filme divertido e com um final merecido, considerando a trama desenvolvida até então. Não perca uma das cenas finais, com o detetive e a agente totalmente estrupiados porém felizes: é um bom resumo do filme: muito esforço para não chegar a nenhum lugar marcante, mas suficiente para distrair e tirar bons momentos.

sábado, 29 de setembro de 2007

Duro de Matar (1988)



Nome: Duro de Matar (Die Hard).
Diretor: John McTiernan.
Gênero: Ação/suspense/policial.
Elenco: Bruce Willis, Alan Rickman, Reginald VelJohnson, Bonnie Bedelia e outros.
Nota: 5 estrelas.
Página no IMDb

O ano de 2007 trouxe a inesperada e quarta parte da série dos filmes Duro de Matar, como é conhecida a franquia estrelada por Bruce Willis na pele de John McClane. Continuações de um filme normalmente indicam que o original é bom - ou excelente, como é o caso aqui.

O filme se inicia com John McClane (Bruce Willis) dentro de um avião, obviamente desconfortável em estar ali. Assim que ele desembarca no aeroporto, é recepcionado por um desconhecido que se revela como o seu motorista, pronto para levá-lo até o prédio de uma grande empresa, conhecida como Nakatomi Corp (ou Coorporação Nakatomi).

É nessa grande empresa que está acontecendo uma festa de Natal para os funcionários que ainda estão por lá, celebrando as conquistas financeiras e o feriado natalino ao mesmo tempo. Conhecemos então Holly Genero (Bonnie Bedelia), que parece dividida entre o trabalho e as crianças que deixou em casa. É ela, também, o propósito da visita de John ao prédio.

Assim que os dois se encontram, o casal se dirige para um lugar mais privado onde podem conversar enquanto John aproveita para se arrumar depois do vôo de avião de Nova York para Los Angeles. Separados no momento, John deixa claro que não se importaria em passar o feriado com seus filhos e a esposa, que também não parece ter nenhuma objeção à oferta. No entanto, a discussão acaba tomando rumos perigosos ao chegar no trabalho de Holly, quando os dois brigam sobre problemas que nunca ficaram bem resolvidos entre eles.

Enquanto isso, na garagem do prédio, um caminhão de uma transportadora estaciona e vários homens desembarcam do mesmo, caminhando para dentro da construção. Na portaria, o pobre segurança acaba baleado e substituído por um dos homens do bando, o outro segurança do hall dos elevadores também sendo assassinado em segundos. Com algumas alterações no computador do prédio, os elevadores são todos travados e os convidados da festa ficam presos no alto do prédio sem perceber nada.

Com armas automáticas e pouco espírito natalino, o grupo pega o único elevador que havia ficado desbloqueado e sai no andar da festa, rapidamente espalhando pânico quando alguns tiros são disparados para que todos os presentes fiquem reunidos no mesmo canto. O aparente líder do grupo começa a falar então, incentivando o presidente da empresa a aparecer e sai com o mesmo da sala depois.

John, enquanto isso, reparou que algo de muito errado está acontecendo no prédio; enquanto Holly teve de sair do banheiro para discursar na festa, ele ficou para trás e conseguiu fugir pela saída de incêndio, descalço e carregando apenas seu revólver. Ele consegue encontrar a sala para onde o presidente havia sido levado, e assiste à execução do mesmo quando ele se nega a ajudar o grupo a organizar um roubo do cofre do prédio.

Nesse momento, a presença de John quase é descoberta pelo grupo, mas ele consegue escapar. Acionando o alarme de incêndio do prédio, ele tenta chamar a atenção dos bombeiros para a empresa, mas um dos integrantes do grupo informa aos bombeiros que era apenas um chamado falso. Esse chamado, no entanto, deu a certeza para todos de alguém mais está no prédio, e um dos integrantes do grupo vai atrás de John.

Com astúcia e uma boa dose de sorte, John não só escapa vivo como rouba a arma do bandido que morreu ao despencar de uma escada com ele. Roubando o rádio e outras coisas que o assaltante carregava com ele, John manda o cadáver pelo elevador, enviando um recado para o resto do grupo rabiscado no suéter do bandido morto: ele esta solto e melhor armado.

O chefe dos bandidos começa a ficar realmente preocupado agora, contendo os ânimos dos outros integrantes e ordenando que o plano siga como o combinado. A maioria aparenta ser de origem alemã e certamente é o caso do líder, Hans Grüber (Alan Rickman), que logo começa a ouvir uma transmissão feita por John do topo do prédio pelo rádio que ele possui, tentando avisar a polícia do que está ocorrendo na empresa e sobre os planos dos bandidos também.

Enquanto John corre pelo prédio e tenta se livrar dos assaltantes, a polícia não leva seu alerta muito a sério; afinal, é dia de Natal e as chances de terroristas estarem em um prédio comercial são quase nulas, sem contar que o chamado para os bombeiros anteriormente feito havia sido classificado como trote. No entanto, um carro de patrulha é enviado para o prédio.

O único policial que vai até a empresa, sargento Al Powell (Reginald VelJohnson) é enganado pelo bandido que se faz passar por porteiro e acaba indo embora. No entanto, quando estava prestes a sair do pátio da empresa, um corpo cai sobre o seu carro - o suficiente para que ele peça desesperadamente por reforços e confirme a transmissão anterior de John como verdadeira.

Até a chegada dos reforços, John continua diminuindo o número de terroristas dentro do prédio, que enquanto isso trabalham arduamente para conseguir invadir o cofre e roubar o conteúdo do mesmo. A mulher de John fica no comando agora, com o seu chefe assassinado, sem saber onde ou como seu marido está, mas confiante de que a irritação do grupo de terroristas significa que ele está vivo.

Quando a polícia chega, o sargento e John começam a se comunicar, sendo que John não pode revelar sua identidade porque os terroristas a descobririam imediatamente pelo rádio. Há o problema da sua conexão com Holly - ela estaria em um perigo ainda maior se soubessem que ela é a mulher (ou ex-mulher) dele, mãe dos seus dois filhos.

O filme prossegue com a caçada mais improvável de todas: John McClane contra um grupo de doze terroristas sob o comando do inteligente Hans Grüber, que se confronta pessoalmente com John em duas ocasiões. Mas é pelo rádio, no entanto, que John fala uma das suas frases mais célebres - e de quebra uma das mais memoráveis da história do cinema também: "Yippee-ki-yay, motherfucker". Ela se repete, aliás, em todas as seqüências da franquia.

Do lado de fora, a polícia age exatamente do jeito que John previra - ineficiente e só causando mais problemas. A exceção se dá na forma do sargento Al Powell, que confia e acredita em John mesmo antes de ter sua identidade confirmada. É esse sargento, também, que tem um papel importante no final do filme.

Duro de Matar é um clássico do gênero de ação, e não é difícil perceber por quê. Nas suas duas horas e quase meia de filme, é impossível desgrudar o olho da tela, por mais improvável e impossível que a tarefa de John McClane seja.

A trama se desenrola dentro do mesmo prédio o filme inteiro, e isso não segura o ritmo ou deixa o filme menos interessante; o modo como John se livra de todos os problemas que aparecem é bem real, embora provavelmente não seja possível para a maioria esmagadora das pessoas.

Outro ponto alto do filme é o grande vilão, espetacularmente representado por Alan Rickman. Eu sou uma fã confessa desse renomado ator britânico, mas é inegável o talento que ele demonstra na película - tanto que seu papel em Duro de Matar foi tido como um dos melhores vilões nos últimos 100 anos de cinema, ficando na 46ª posição. A lista foi feita pelo Instituto Americano de Filmes em 2003, que escolheu os 50 maiores heróis e os 50 maiores vilões.

O enredo é simples mas cativante, carregado por performances excelentes e com personalidade. Em especial Bruce Willis, cujo personagem pode estar na maior enrascada, mas de alguma forma ele ainda consegue insultar Hans ou então fazer uma piada consigo mesmo. Mesmo os atores coajuvantes, numerosos dado o tamanho do bando de Hans, também tem cada um a sua forma de incrementar a trama.

Em suma, imperdível. E o título, tanto o original como em português, faz jus ao personagem principal da trama.