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sábado, 9 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes (2009)



Nome: Sherlock Holmes (Sherlock Holmes).
Diretor: Guy Ritchie.
Gênero: Ação/Aventura/Mistério/Policial.
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong e outros.
Nota: 4 estrelas.
Página no IMDb

"Elementar, meu caro Watson" será um frase que não será ouvida neste filme: aliás, este filme se propõe a atualizar os personagens mais famosos de Sir Arthur Conan Doyle, dando uma atmosfera mais "moderna" à série de livros e ao detetive particular mais conhecido do mundo inteiro sem que eles saiam da Inglaterra vitoriana dos livros originais - além de não seguir nenhum dos contos de forma principal.

A história começa com ação: Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) corre, planeja friamente como lutar e derrubar seus oponentes e, com a ajuda do Doutor John Watson (Jude Law), coloca fim a um ritual de sacrifício humano que estava sendo conduzido por Lorde Blackwood (Mark Strong), resultando na prisão deste e no salvamento da moça.

Blackwood é condenado à forca pelo crime e tem sua execução marcada para depois de três meses, tempo em que Holmes fica ocioso e completamente entediado. Enquanto isso, Watson decide que vai se mudar da casa do detetive depois de acertar o casamento com a jovem Mary Morstan (Kelly Reilly), idéia que perturba Holmes - já que o que não faltam são tentativas do detetive de impedir o amigo de levar o casamento adiante, procurando sabotá-lo de todo modo.

Pouco antes da execução de Blackwood, o próprio Sherlock Holmes é chamado até a prisão, já que a sua presença ali era o último desejo do condenado. Os dois homens conversam e Blackwood avisa que mais três mortes ocorrerão dali em diante e que a sua execução mudará os rumos do mundo. Apesar de tudo, o nobre é enforcado e sua morte é confirmada pelo próprio Watson.

Surge em cena Irene Adler (Rachel McAdams), uma golpista que foi a única que conseguiu enganar o detetive no passado - e ainda por cima, por duas vezes. Ela oferece dinheiro para que ele aceite um caso relativo ao desaparecimento de uma pessoa, mas não revela nada que dê pistas sobre para quem ela estaria trabalhando - o que força Holmes a se disfarçar para tentar obter maiores pistas. Logo depois, a notícia de que Blackwood voltou dos mortos chega até Holmes, e sua ajuda é requisita para tentar impedir que o pânico se alastre pelas ruas com tal acontecimento.

No lugar de Blackwood está o homem que Irene havia pedido para ser encontrado - e, com base em um relógio enterrado junto com o homem, Holmes e Watson chegam ao endereço dele, descobrindo um laboratório estranho porém falhando em descobrir no quê o homem trabalhava ali dentro. Os dois, porém, são surpreendidos com a chegada de capangas enviados ali para detruir qualquer tipo de evidência (já que os dois amigos já haviam descoberto uma ligação entre o morto e Blackwood), mas acabam na cadeia por toda a confusão criada logo depois.

Enquanto Watson tem a sua fiança paga pela noiva, Holmes sai devido a um pagamento feito pelo Templo das Quatro Ordens, uma sociedade secreta que lida com magia e da qual Blackwood era um membro - e um muito poderoso, nascido durante um ritual. Sem poderes para impedi-lo de seguir esse caminho, o chefe da sociedade pede ajuda a Holmes - que aceita prender o homem, mas não porque eles haviam solicitado. Pouco tempo depois, no entanto, dois membros antigos da ordem são assassinados e Blackwood passa a liderá-la, com planos de dominar a Inglaterra e retomar o domínio dos Estados Unidos como colônia. Para piorar as coisas para Holmes, Blackwood pede ao Ministro do Interior, um membro da seita, para manipular a polícia e expedir um mandado de prisão para o detetive.

Os dois amigos começam a seguir pistas deixadas para trás que levam a crer que Blackwood estaria em um matadouro - e os dois estavam certos, chegando a tempo de salvarem Irene de uma armadilha fatal, já que Blackwood parece estar eliminando todos os vestígios de seus planos. A fuga de Watson, Holmes e Irene é frustrada por uma bomba, acionada por outra armadilha e que acaba deixando Watson, entre todos, severamente machucado.

Desse momento em diante, a maior parte do que acontece é essencial para que se desvende o mistério que se segue, sendo impossível contar mais sem estragar o resto do filme. É verdade que a ação, as lutas, as situações humorísticas e vários outros elementos estão presentes, mas Sherlock Holmes é Sherlock Holmes e não se pode esperar nada mais nada menos do que um espetacular desfecho com base em todos os detalhes que a maioria das pessoas não viu enquanto assistia ao filme.

Acho a versão atual do detetive mais famoso do mundo competente: foi exatamente o que eu esperava, sem entregar nada que possa ser classificado como uma "obra-prima", mas sem deixar a desejar também; aparentemente, a melhor coisa que Guy Ritchie fez nos últimos anos foi se divorciar de Madonna, já que seus dois últimos filmes (este e "RocknRolla", de 2008) indicam uma retomada visível da sua carreira, com lançamentos consistentes e que têm devolvido a sua credibilidade como diretor.

Agora, as atuações: embora Robert Downey Jr. não tenha sido a primeira escolha para o papel por ser um pouco "velho demais" (aparentemente, a idéia era retratar Sherlock Holmes mais moço, mais ou menos como no reinício da franquia de "Batman", com Christian Bale no papel principal), fica difícil imaginar este filme de outra maneira: Downey Jr. esteve impecável com seu sotaque inglês (ele é americano), os maneirismos de Holmes, seu ritmo de cena e a sua caracterização como um todo. Jude Law não fica por menos: seu Doutor Watson é alguém no mesmo nível de Holmes, independente e que sabe decifrar quando está sendo manipulado pelo amigo.

Uma grande diferença dos livros para este filme está no relacionamento entre ambos, aliás: mais do que mestre e criado, mente brilhante e ajudante, eles estão em pé de igualdade, mostrando que, sem o outro, nenhum deles chegaria longe. As discussões e tiradas de ambos constituem os melhores momentos do filme e não raro eles se parecem com um casal velho briguento, mas daqueles tão entrosados que fica difícil para uma terceira pessoa entender e ser aceita naquela ligação tão exclusiva.

Essa "falta" de respeito com a caracterização dos personagens principais, a inserção de Irene como uma personagem quase fundamental e a correria e pancadaria que não estariam nos romances originais de Sir Arthur Conan Doyle podem afastar os puristas, mas a atualização, na minha opinião, é mais que bem-vinda. Não há dúvidas de que a franquia irá continuar - vi poucos filmes com ganchos tão óbvios para continuações quanto este, até porque o grande antagonista de Holmes nos livros não teve papel de destaque - ainda. A Londres vitoriana é bem retratada, o figurino inovador se ajusta aos personagens e a trilha sonora é impecável - mas aí, eu sou suspeita para falar porque simplesmente adoro o trabalho do Hans Zimmer, o compositor neste caso.

Um detalhe interessante do filme que merece ser destacado são os efeitos, quase como flashbacks mostrados a platéia, de como as coisas se desenvolveram. Quando Holmes ou Watson tiram conclusões sobre alguma coisa, as cenas originais são mostradas numa rápida sucessão à platéia, mostrando o que de fato aconteceu e possibilitando que todos entendam como os dois chegaram àquelas respostas por meio de suas deduções. Tal mecanismo foi usado de forma semelhante em "O Código da Vinci" (2006), mas não funcionou bem na época - eu acho que, neste caso, só serviu para confundir a platéia, enquanto aqui as ilustrações são bem-vindas.

É um filme, como disse, honesto: não tem pretensões de ser inovador mas não deixa de ser criativo; um filme que, felizmente, não tem nada de elementar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O Patriota (2000)



Nome: O Patriota (The Patriot).
Diretor: Roland Emmerich.
Gênero: Ação/drama/guerra.
Elenco: Mel Gibson, Jason Isaacs, Heath Ledger, Joely Richardson e outros.
Nota: 3 estrelas.
Página no IMDb

O Patriota é o tipo de filme que todo mundo assistiu, mesmo que não por inteiro. Pode ter sido na televisão aberta, em uma loja de eletrônicos ou ainda na escola como complemento em História quando se estudou a Independência Americana - meu caso, por sinal.

Estamos no final do século XVIII, no estado da Carolina do Sul. Benjamin Martin (Mel Gibson) é o pai de sete crianças e vive em uma grande fazenda, longe da cidade. O correio é o único contato que eles possuem com a vida na cidade, e logo fica claro que a guerra pela independência das colônias está chegando ali também.

Gabriel (Heath Ledger), o filho mais velho de Benjamin, está ansioso para lutar como soldado, mas seu pai sabe dos horrores que um confronto como esse traz, ele mesmo sendo um antigo soldado aclamado. No entanto, isso não impede que ele se aliste na primeira visita à cidade que a família faz.

No entanto, não é porque Benjamin escolheu ignorar a guerra que ela decidirá fazer o mesmo. Dois anos depois da partida de Gabriel, ele retorna ferido até a sua casa, transportando documentos de guerra. Naquela mesma noite, a guerra chega até a fazenda de Benjamin e todos podem ver os corpos de soldados americanos e ingleses espalhados pelo chão na manhã seguinte, alguns ainda vivos.

Eles decidem recolher e tratar os feridos, sem distinção de nacionalidade. Quando os empregados da casa e a família de Benjamin estão ocupados com os combatentes, um oficial inglês chega ali e agradece pela ajuda, mesmo sendo do lado inimigo. No entanto, o clima de cordialidade é quebrado com a chegada de um outro militar, Coronel Tavington (Jason Isaacs), um combatente inteligente, arrogante e sobretudo cruel.

Com ordens rápidas e sem qualquer remorso aparente, o coronel manda seus soldados matarem todos os americanos que estavam se recuperando, levando os ingleses para serem tratados pelos seus próprios médicos. É nesse momento que ele decide levar Gabriel com ele também para ser posteriormente enforcado - apesar das leis de guerra impedirem isso.

Em uma tentativa vã de salvar o irmão, o segundo filho mais velho de Benjamin é assassinado cruelmente pelo coronel, deixando o patriarca desesperado e em fúria também. Com a casa destruída por ordens de Tavington por ter abrigado ingleses, ele deixa seus três filhos menores nas ruínas da mesma e parte com outros dois para as matas, seguindo o cortejo que levava Gabriel prisoneiro.

Sozinhos, eles conseguem não somente matar todos os soldados ingleses como resgatar Gabriel, que não perde tempo em vestir seu uniforme e partir novamente para a guerra. Benjamin, então, decide deixar seus outros filhos com a irmã de sua falecida esposa, Charlotte (Joely Richardson) e acaba se unindo ao seu filho mais velho, ambos agora lutando pelo futuro Estados Unidos da América.

Para Benjamin, é claro que os colonos nunca irão ganhar dos ingleses em batalhas convencionais - eles estão melhor armados, preparados e em maior número do que os colonos. A saída, portanto, é lutar de uma forma diferente: organizando uma milícia, pai e filho começam a recrutar colonos que possam lutar com eles, aproveitando o conhecimento da geografia local de cada um deles para formar um grupo paramilitar comandado por Benjamin, que começa a ter sucesso e monta seu "quartel general" em um pântano.

A principal tática no começo é o roubo de armas, alimentos, roupas e tudo mais que eles encontrassem - incluindo os cachorros e uma boa quantidade de objetos pessoais de Lorde Cornwallis (Tom Wilkinson), o grande responsável pelo exército britânico na Carolina do Sul. É esse roubo, especialmente o dos cachorros, que faz com que Lorde Cornwallis autorize a utilização de ténicas brutais e mais cruéis por Tavington, na esperança de deter a milícia. Antes fica bem claro que esses métodos nada usuais de Tavington são desprezados por Cornwallis, que responde pelos abusos do seus subordinados - e falar em abusos é diminuir a crueldade de Tavington, que ganhou o curioso apelido de "o açougueiro" da população local.

É com essa autorização que o coronel então persegue a família de Benjamin na casa de Charlotte, mas eles conseguem escapar e são liderados para uma ilha de escravos libertos, onde podem ficar em segurança. Gabriel se casa, Benjamin e Charlotte iniciam um relacionamento e algum período de paz se passa entre eles até o retorno para a guerra ou para as cidades, quando a esposa de Gabriel (Lisa Brenner), juntamente com todos os moradores da sua vila, são queimados vivos dentro da igreja local.

Ao encontrarem a vila destruída, muitos saem em busca de vingança, indo atrás dos ingleses e em especial, do Coronel Tavington. Gabriel, tomado por grande desespero e fúria ainda maior, consegue eventualmente acertar um tiro em Tavington - mas é o inglês que vence a batalha no final, ferindo mortalmente o filho mais velho de Benjamin e deixando este em profundo desespero depois.

Desse momento para a batalha final, muita coisa acontece; membros da milícia escapam da forca com um plano engenhoso de Benjamin, que troca ameaças de morte com Tavington. O grande trunfo dos colonos está no fato de que são uma organização paramilitar, freqüentemente subestimados pelas tropas britânicas - talvez o erro fatal em termos de estratégia da Inglaterra.

A batalha final conta com o esperado confronto pessoal entre Benjamin e Tavington, sendo que o resultado não é difícil de prever. Quando os ingleses batem em retirada da Carolina do Sul, vemos que pouco tempo depois eles são acuados pelo exército dos colonos e pela ajuda francesa que chegou pelo mar depois de meses de espera.

O primeiro alerta que eu considero pertinente a ser feito é sobre a veracidade dos fatos apresentados: enquanto os figurinos e os cenários são magníficos e dão a sensação de que estamos mesmo vendo algo que se passou séculos atrás, o filme não segue uma linha precisa ou verdadeira. Tanto Benjamin Martin quanto William Tavington são ficcionais e incorporam elementos de mais de uma personalidade daquela época. Não espere por grandes reviravoltas de enredo - a trama é previsível.

O meu maior problema com o filme é o modo como ele parece orbitar ao redor de Mel Gibson. Tudo na guerra parece depender única e exclusivamente dele - se ele lutar, os colonos ganham; se ele ficar em casa, não há esperança para ninguém. As características de um bom filme histórico estão lá, mas muito distorcidas pelo drama particular de um homem só, o que é pequeno se comparado ao tamanho da guerra - razão, aliás, que levou Harrison Ford a rejeitar o papel de Benjamin Martin.

Outra coisa é a capacidade do filme em manipular a audiência: tendo em Tavington o principal expoente do exército inglês, tende-se a acreditar que o comportamento dele era o modelo das tropas britânicas, quando ele é claramente uma exceção - uma fantástica e maravilhosa exceção retratada com maestria por Jason Isaacs, disparado o melhor ator em cena. Mas ainda sim, deve-se ter em mente de que é um filme americano, contando o lado dos mesmos.

Em relação a atuação do resto do elenco, eu não acho que ela seja muito digna de nota. Nenhum dos filhos de Benjamin, salvo por Gabriel, faz algo que mereça muito tempo de cena ou que seja memorável. A maioria dos personagens tem apenas duas dimensões - falta profundidade. Eu, pelo menos, não senti nenhum pesar ao ver tanta gente sendo queimada na igreja, porque eles simplesmente não inspiraram simpatia alguma antes.

No mais, o filme é uma boa diversão e é melhor se visto na versão estendida, com algumas cenas que humanizam mais o cruel Coronel Tavington (e nada se sabe sobre o porquê/como ele ficou assim). Encare esta película como um passatempo recheado de ação em cenários épicos - porque são esses os méritos do filme.

sábado, 29 de setembro de 2007

Duro de Matar (1988)



Nome: Duro de Matar (Die Hard).
Diretor: John McTiernan.
Gênero: Ação/suspense/policial.
Elenco: Bruce Willis, Alan Rickman, Reginald VelJohnson, Bonnie Bedelia e outros.
Nota: 5 estrelas.
Página no IMDb

O ano de 2007 trouxe a inesperada e quarta parte da série dos filmes Duro de Matar, como é conhecida a franquia estrelada por Bruce Willis na pele de John McClane. Continuações de um filme normalmente indicam que o original é bom - ou excelente, como é o caso aqui.

O filme se inicia com John McClane (Bruce Willis) dentro de um avião, obviamente desconfortável em estar ali. Assim que ele desembarca no aeroporto, é recepcionado por um desconhecido que se revela como o seu motorista, pronto para levá-lo até o prédio de uma grande empresa, conhecida como Nakatomi Corp (ou Coorporação Nakatomi).

É nessa grande empresa que está acontecendo uma festa de Natal para os funcionários que ainda estão por lá, celebrando as conquistas financeiras e o feriado natalino ao mesmo tempo. Conhecemos então Holly Genero (Bonnie Bedelia), que parece dividida entre o trabalho e as crianças que deixou em casa. É ela, também, o propósito da visita de John ao prédio.

Assim que os dois se encontram, o casal se dirige para um lugar mais privado onde podem conversar enquanto John aproveita para se arrumar depois do vôo de avião de Nova York para Los Angeles. Separados no momento, John deixa claro que não se importaria em passar o feriado com seus filhos e a esposa, que também não parece ter nenhuma objeção à oferta. No entanto, a discussão acaba tomando rumos perigosos ao chegar no trabalho de Holly, quando os dois brigam sobre problemas que nunca ficaram bem resolvidos entre eles.

Enquanto isso, na garagem do prédio, um caminhão de uma transportadora estaciona e vários homens desembarcam do mesmo, caminhando para dentro da construção. Na portaria, o pobre segurança acaba baleado e substituído por um dos homens do bando, o outro segurança do hall dos elevadores também sendo assassinado em segundos. Com algumas alterações no computador do prédio, os elevadores são todos travados e os convidados da festa ficam presos no alto do prédio sem perceber nada.

Com armas automáticas e pouco espírito natalino, o grupo pega o único elevador que havia ficado desbloqueado e sai no andar da festa, rapidamente espalhando pânico quando alguns tiros são disparados para que todos os presentes fiquem reunidos no mesmo canto. O aparente líder do grupo começa a falar então, incentivando o presidente da empresa a aparecer e sai com o mesmo da sala depois.

John, enquanto isso, reparou que algo de muito errado está acontecendo no prédio; enquanto Holly teve de sair do banheiro para discursar na festa, ele ficou para trás e conseguiu fugir pela saída de incêndio, descalço e carregando apenas seu revólver. Ele consegue encontrar a sala para onde o presidente havia sido levado, e assiste à execução do mesmo quando ele se nega a ajudar o grupo a organizar um roubo do cofre do prédio.

Nesse momento, a presença de John quase é descoberta pelo grupo, mas ele consegue escapar. Acionando o alarme de incêndio do prédio, ele tenta chamar a atenção dos bombeiros para a empresa, mas um dos integrantes do grupo informa aos bombeiros que era apenas um chamado falso. Esse chamado, no entanto, deu a certeza para todos de alguém mais está no prédio, e um dos integrantes do grupo vai atrás de John.

Com astúcia e uma boa dose de sorte, John não só escapa vivo como rouba a arma do bandido que morreu ao despencar de uma escada com ele. Roubando o rádio e outras coisas que o assaltante carregava com ele, John manda o cadáver pelo elevador, enviando um recado para o resto do grupo rabiscado no suéter do bandido morto: ele esta solto e melhor armado.

O chefe dos bandidos começa a ficar realmente preocupado agora, contendo os ânimos dos outros integrantes e ordenando que o plano siga como o combinado. A maioria aparenta ser de origem alemã e certamente é o caso do líder, Hans Grüber (Alan Rickman), que logo começa a ouvir uma transmissão feita por John do topo do prédio pelo rádio que ele possui, tentando avisar a polícia do que está ocorrendo na empresa e sobre os planos dos bandidos também.

Enquanto John corre pelo prédio e tenta se livrar dos assaltantes, a polícia não leva seu alerta muito a sério; afinal, é dia de Natal e as chances de terroristas estarem em um prédio comercial são quase nulas, sem contar que o chamado para os bombeiros anteriormente feito havia sido classificado como trote. No entanto, um carro de patrulha é enviado para o prédio.

O único policial que vai até a empresa, sargento Al Powell (Reginald VelJohnson) é enganado pelo bandido que se faz passar por porteiro e acaba indo embora. No entanto, quando estava prestes a sair do pátio da empresa, um corpo cai sobre o seu carro - o suficiente para que ele peça desesperadamente por reforços e confirme a transmissão anterior de John como verdadeira.

Até a chegada dos reforços, John continua diminuindo o número de terroristas dentro do prédio, que enquanto isso trabalham arduamente para conseguir invadir o cofre e roubar o conteúdo do mesmo. A mulher de John fica no comando agora, com o seu chefe assassinado, sem saber onde ou como seu marido está, mas confiante de que a irritação do grupo de terroristas significa que ele está vivo.

Quando a polícia chega, o sargento e John começam a se comunicar, sendo que John não pode revelar sua identidade porque os terroristas a descobririam imediatamente pelo rádio. Há o problema da sua conexão com Holly - ela estaria em um perigo ainda maior se soubessem que ela é a mulher (ou ex-mulher) dele, mãe dos seus dois filhos.

O filme prossegue com a caçada mais improvável de todas: John McClane contra um grupo de doze terroristas sob o comando do inteligente Hans Grüber, que se confronta pessoalmente com John em duas ocasiões. Mas é pelo rádio, no entanto, que John fala uma das suas frases mais célebres - e de quebra uma das mais memoráveis da história do cinema também: "Yippee-ki-yay, motherfucker". Ela se repete, aliás, em todas as seqüências da franquia.

Do lado de fora, a polícia age exatamente do jeito que John previra - ineficiente e só causando mais problemas. A exceção se dá na forma do sargento Al Powell, que confia e acredita em John mesmo antes de ter sua identidade confirmada. É esse sargento, também, que tem um papel importante no final do filme.

Duro de Matar é um clássico do gênero de ação, e não é difícil perceber por quê. Nas suas duas horas e quase meia de filme, é impossível desgrudar o olho da tela, por mais improvável e impossível que a tarefa de John McClane seja.

A trama se desenrola dentro do mesmo prédio o filme inteiro, e isso não segura o ritmo ou deixa o filme menos interessante; o modo como John se livra de todos os problemas que aparecem é bem real, embora provavelmente não seja possível para a maioria esmagadora das pessoas.

Outro ponto alto do filme é o grande vilão, espetacularmente representado por Alan Rickman. Eu sou uma fã confessa desse renomado ator britânico, mas é inegável o talento que ele demonstra na película - tanto que seu papel em Duro de Matar foi tido como um dos melhores vilões nos últimos 100 anos de cinema, ficando na 46ª posição. A lista foi feita pelo Instituto Americano de Filmes em 2003, que escolheu os 50 maiores heróis e os 50 maiores vilões.

O enredo é simples mas cativante, carregado por performances excelentes e com personalidade. Em especial Bruce Willis, cujo personagem pode estar na maior enrascada, mas de alguma forma ele ainda consegue insultar Hans ou então fazer uma piada consigo mesmo. Mesmo os atores coajuvantes, numerosos dado o tamanho do bando de Hans, também tem cada um a sua forma de incrementar a trama.

Em suma, imperdível. E o título, tanto o original como em português, faz jus ao personagem principal da trama.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Terno de Dois Bilhões de Dólares (2002)



Nome: O Terno de Dois Bilhões de Dólares (The Tuxedo).
Diretor: Kevin Donovan.
Gênero: Ação/comédia/ficção científica.
Elenco: Jackie Chan, Jennifer Love Hewitt, Jason Isaacs, Ritchie Coster e outros.
Nota: 2 estrelas.
Página no IMDb

Jackie Chan é um ator bem conhecido de qualquer público, ocidental ou oriental. Famoso por fazer ele mesmo as cenas que normalmente pedem por dublês, não raro ele se machuca ou dá ensejo a cenas hilárias que ficam para aquelas cenas depois dos créditos ou em extras de DVDs.

E sobretudo, há luta. Muita luta. O quê chama a atenção nesse filme é justamente a falta dela - ou o jeito com ela é feita. Na trama, Jimmy Tong (Jackie Chan) é um motorista de táxi, admirador de uma funcionária de uma galeria de arte. Sem coragem de convidá-la para sair, após uma tentativa frustrada de um convite, ele derruba sem querer um ciclista desavisado com a porta do seu táxi - em uma cena bizarra e ao mesmo tempo cômica, na rua de uma movimentada cidade americana.

Após se safar do ciclista irritado, ele cai no colo de uma mulher sentada dentro do seu carro. Ela lhe indica o endereço do destino e faz uma aposta: se ele chegar ao lugar desejado antes dela terminar de aplicar a maquiagem, ela vai dobrar o valor da corrida. Jimmy, claro, aceita o desafio e dirige como um louco pelas ruas.

No final, ele consegue completar o desafio e ela se apresenta como Steena (Debi Mazar), em seguida contratando-o para um novo emprego. Com um salário maior além de casa e roupas novas, ele vira o motorista de Clark Devlin (Jason Isaacs), um homem riquíssimo sobre quem ele não conhece nada.

Seu emprego novo tem regras; muitas delas. A mais importante é justamente não falar com o patrão, coisa que Jimmy faz logo no seu primeiro dia como motorista. E para a surpresa do mesmo, Clark Devlin odeia as regras e se mostra um patrão ideal, propenso a dar conselhos e presentes ao seu motorista.

Uma noite, após deixarem o drive thru de uma cadeia de fast-food, Jimmy quase atropela um sujeito - que vai embora xingando o motorista, não sem antes grudar um dispositivo estranho no porta-malas do carro. Minutos depois, um skate começa a seguir o carro, e quando Jimmy pergunta ao seu patrão por que eles estão fugindo de um skate, o mesmo responde: "É uma bomba".

Bomba de fato. Presos em um beco sem saída, os dois homens saem correndo do carro que explode, ferindo gravemente o misterioso chefe de Jimmy na cabeça. Atordoado, o motorista vê a identidade do seu patrão se transformar na frente dos seus olhos enquanto Clark murmura algo que o outro registra como um nome: Walter Strider.

Com Clark Devlin fora de cena, Jimmy retorna à mansão para procurar mais detalhes sobre o suposto Walter Strider enquanto seu patrão está no hospital. É nessa hora que ele decide provar então um terno que, ao contrário dos outros, fica protegido por uma redoma de vidro e o qual ele havia jurado não mexer na presença do seu chefe. Mas como ele não está lá...

É dada a partida para o principal mote do filme: o terno, na verdade, é um protótipo de uma arma do governo americano, com mais habilidades do que qualquer um sonharia. Sim, você leu certo: o terno é uma arma. O relógio que Jimmy usa no pulso controla as funções da roupa, e em segundos, ele começa a testar logo o modo "demolidor".

Com o patrão inconsciente e sem saber direito o quê está acontecendo, Jimmy assume o seu lugar e passa a trabalhar com Del Blaine (Jennifer Love Hewitt), uma agente secreta da mesma agência de Steena. Sem a menor idéia sobre o projeto em que eles estariam trabalhando, Jimmy vai enganando a moça até finalmente descobrir que eles estão monitorando um certo Dietrich Banning (Ritchie Coster), presidente de uma empresa de água engarrafada que parece ter alguns planos sinistros sob a manga.

Sem nunca tirar o terno, Jimmy vai descobrindo aos poucos as funções do mesmo enquanto tenta desvendar os planos de Banning ao lado de Del Blaine. Problemas de comunicação entre eles não são raros e eles sempre conseguem atrair confusão e problemas em todas as vezes - por mais que no final, eles consigam se livrar deles e impedir um estranho tipo de dominação mundial por parte de um vilão esteriotipado.

O filme é esquisito, para dizer o mínimo. A interação entre Jackie Chan e Jennifer Love Hewitt deixa muito a desejar e me pareceu forçada em várias cenas. A personagem Del Blaine também não me convence - eu nunca entendi se ela é experiente ou novata em missões de campo, se ela está tentando ser chata ou engraçada; falta alma, simplesmente.

As lutas de Jackie Chan são dispensáveis. Com um terno que supostamente faz tudo para ele, o ator está sempre preso por fios e envolvido em cenas à la Matrix, algo totalmente dispensável. O enredo que revolve em torno de um terno tecnológico, a dominação do mundo pela contaminação da água potável por insetos e uma agência secreta complicada de entender também não ajuda.

Eu esperava que a estréia de Jackie Chan nos cinemas ocidentais com seu primeiro papel de destaque fosse melhor. Bem melhor. Os fiéis fãs do ator certamente não gostaram a multidão de efeitos especiais e CGI onde poderia ter havido luta (e comédia!) real.

O carisma de Jason Isaacs (a interação entre ele e Chan é a melhor parte do filme) é inegável mas não segura um filme inteiro onde seu personagem não aparece direito. A participação especial de James Brown também é interessante, mas são esses os pontos fortes da trama. Se é que podemos chamar esse roteiro estranho e nada plausível de trama.

A minha conclusão é de que o filme é melhor do que não fazer nada por uma hora e meia, mas não vai além disso.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra (2003)



Nome: Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl).
Diretor: Gore Verbinski.
Gênero: Ação/aventura/comédia/fantasia.
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Keira Knightley e outros.
Nota: 5 estrelas.
Página no IMDb

Assim que eu saí da sala de projeção, eu sabia que Piratas do Caribe era especial. Depois da trilogia do Senhor dos Anéis (que eu fiz de questão de ver cada filme por três vezes por gostar demais do livro), Piratas foi o primeiro filme que me causou essa mesma sensação de precisar ver tudo de novo - e eu de fato retornei ao cinema para rever o filme que se tornaria a primeira parte de uma triologia.

O filme trouxe de volta um gênero que não aparecia no cinema há um bom tempo: a pirataria. Baseado em um dos brinquedos dos parques da Disney, Piratas do Caribe não foi preparado para ser um sucesso ou para ter continuações, um dos fatores que provavelmente deram toda a graça e o charme peculiar desse filme que, embora seja da Disney, ao mesmo tempo parece não pertencer a ela e aos seus filmes "comportados".

A história se passa no séc. XVIII, no Caribe, terras comandadas ainda pela Inglaterra. Somos primeiramente apresentados à Elizabeth (Keira Knightley) e Will (Orlando Bloom), amigos de infância que se conheceram por acaso durante a travessia marítima da Inglaterra para a América quando crianças.

Já crescidos, não é difícil perceber que o jovem vê em Elizabeth um pouco mais que uma simples amiga - mas as diferenças sociais entre eles deixam tudo isso no plano das idéias. Enquanto isso, vemos a entrada de um homem incomum, com o equilíbrio e voz de um bêbado, além de alguns trejeitos meio afeminados: Jack Sparrow (Johnny Depp), mais tarde revelado um pirata ao salvar Elizabeth de um possível afogamento (tudo culpa de um espartilho muito apertado e uma proximidade perigosa do mar).

É trancado em uma cela que ele vê um navio fantasma começar a atacar a cidade, desesperando os moradores. O navio aparentemente não é nenhuma surpresa para Jack, ou o jeito como a sua tripulação amaldiçoada se comporta - mas o resto da vila, em pânico, pensa diferente. Por fim, dois piratas encontram Elizabeth, que pede pelo parlay - direito de falar com o capitão do navio ao qual os dois piratas pertenciam, e assim ela é levada até a presença do temido Capitão Barbossa (Geoffrey Rush).

Elizabeth então consegue fazer com que os ataques parem e que o navio se retire, tudo em troca de um medalhão que ela carrega consigo desde o dia em que conhecera Will em alto-mar, quando criança. Barganha terminada, os piratas se retiraram para alto-mar... Junto com Elizabeth.

O seqüestro da filha do governador não tarda a se espalhar e Will logo se voluntaria para salvá-la - mas não é o único tomado por preocupações ou afeição por Elizabeth: Comodoro Norrington (Jack Davenport), a máxima autoridade da marinha britânica na cidade, deixa isso bem claro.

Decidindo tomar medidas drásticas, Will vai até a cadeia e encontra Jack Sparrow ainda preso por lá - os piratas deixaram-no lá de propósito após encontrarem-no na noite passada. Will pede pela ajuda do pirata para ir atrás de Elizabeth - já que os seqüestradores são piratas também - mas Jack só concorda ao saber do nome completo de Will: William Turner.

Enganando a marinha e roubando um navio, os dois saem atrás de Barbossa e sua temível tripulação do Pérola Negra, um navio tido como fantasma que assombrava as ilhas caribenhas com lendas mórbidas. No meio do caminho, um tesouro amaldiçoado que precisa ser devolvido, a constante troca de lados de Jack Sparrow e seu envolvimento com Barbossa e o navio, bem como o triângulo amoroso formado entre Will, Elizabeth e Norrington.

O filme tem fôlego para resolver tudo isso e mais um pouco, dando origem a cenas hilárias e diálogos afiadíssimos - o diálogo é, afinal, um dos pontos fortes do filme. Como não foi projetado para ser um sucesso, nenhum dos produtores de Piratas se empolgou com a idéia de grandes gastos com efeitos especiais (embora as cenas com os piratas amaldiçoados sejam espantosas), reforçando as linhas dos personagens.

Os próprios personagens são um show a parte - principalmente Jack Sparrow. O capitão pirata de jeito estranho e moral duvidosa é disparado o papel de mais sucesso que Johnny Depp já encarou até hoje, o resultado do cruzamento de Pepe LePew e Keith Richards, segundo o próprio ator. Enquanto ele é a alma do filme, todos os outros personagens contribuem com visões e atitudes diferentes, especialmente no tocante à "mocinha" do filme - Elizabeth não tem medo de piratas, ou de bater neles.

Uma história bem amarrada, com cenas de luta excelentes e uma grande dose de humor original fizeram deste filme uma das maiores bilheterias da história do cinema com suas continuações, chegando ao ponto de alterar o brinquedo original da Disney que lhe deu origem: hoje, na atração, é possível ver as figuras de Jack Sparrow e Barbossa, por exemplo.

O filme teve censura livre do Brasil (mas foi classificado como PG-13 nos Estados Unidos por causa de "cenas assustadoras"), porém não se engane: é uma obra de arte fantástica, que diverte qualquer pessoa que parar por dez segundos em frente à tela. E é também meu filme favorito - algo que eu acho que não é mais surpreendente a esse ponto.

Yo ho, yo ho, a pirate's life for me.