domingo, 21 de outubro de 2007

À Espera de Um Milagre (1999)



Nome: À Espera de Um Milagre (The Green Mile).
Diretor: Frank Darabont.
Gênero: Drama/Mistério/Fantasia.
Elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, David Morse, Doug Hutchison e outros.
Nota: 5 estrelas.
Página no IMDb

Freqüentemente o cinema busca sua inspiração em outra forma de arte: a literatura. Desta vez, o autor escolhido foi Stephen King, um dos mestres do terror, subrenatural e suspense. E a adaptação cinematográfica faz jus à sua renomada obra.

O filme se passa como um longo flashback: Paul Edgecomb (Tom Hanks) conta a uma amiga sobre o verão do ano de 1935, quando era policial e trabalhava no corredor da morte de uma prisão no estado americano da Louisiana. O nome original do filme vem justamente do fato de que costumava-se dizer que os prisioneiros ali mantidos caminhavam sua última milha sobre um piso de cor verde da sua cela até a grande "atração" do local - a cadeira elétrica.

Um dia, um novo prisioneiro chega: seu nome é John Coffey (Michael Clarke Duncan), um negro de altura impressionante mas que se revela um gigante calmo: ele conversa delicadamente, tem medo do escuro e chora várias vezes - algo que parece terrivelmente ilógico dada a sua condenação pelo estupro e assassinato de duas garotinhas brancas.

A convivência entre os prisioneiros e os guardas é relativamente amistosa, com o respeito imperando ali. É costume que a execução de cada um deles seja treinada antes de ocorrer efetivamente, para impedir qualquer erro que prolongue o sofrimento dos condenados. A rotina é normalmente calma até o dia em que um pequeno rato aparece em frente a mesa dos policiais, que pede por comida e depois se esconde na solitária (utilizada como depósito), onde ninguém consegue encontrá-lo. O mesmo rato torna-se alvo da obsessão de Percy Wetmore (Doug Hutchison), um guarda que possui ligações poderosas mas adora estar ali porque pode intimidar, provocar e causar todo o tipo de sofrimento aos presos - um verdadeiro sádico, desprezado pelos seus colegas.

O mesmo ratinho volta a aparecer mais tarde, tendo sido "domado" por Eduard Delacroix (Michael Jeter), que o nomeia Mr. Jingles. O animalzinho passa a morar na mesma cela de Delacroix, e obedece todos os comandos do preso - um fato surpreendente para todos. Chega também à prisão um sujeito extremamente estranho: William Wharton (Sam Rockwell), que engana a todos como um falso louco e quase estrangula um dos guardas na sua chegada.

É com muito esforço que Wharton (ou "Wild Bill", como é conhecido) é controlado, e quando o guarda atacado é levado embora para ver um médico, Edgecomb se deixa cair no chão da prisão: ele sofre de uma estranha infecção urinária que não vai embora e que nos últimos dias vinha enlouquecendo-o de dor.

No chão e obviamente sofrendo, John Coffey começa a chamar pelo policial e pede para vê-lo - e apesar de dizer que aquela não é uma boa hora, Edgecomb atende o pedido no final - somente para ser agarrado pelo gigante e então ter seu problema curado.

Coffey consegue tocar a parte afetada e então transmitir para si mesmo a doença, depois então abrindo a boca e expelindo do seu próprio organismo tudo aquilo que tinha dentro do seu corpo. Depois desse processo, ele sempre sente um cansaço extremo e dorme, sem querer falar ou comentar sobre nada. Edgecomb comenta com Brutus Howell (David Morse) o milagre que ele acredita ter se operado, mas nenhuma outra prova a respeito dos poderes de John Coffey aparece.

A rotina na prisão segue normalmente, apesar das constantes interferências de Wild Bill - ele não gosta de nenhum dos outros presos e odeia principalmente os policiais, tendo feito todas as malcriações e se comportado do pior jeito possível com todos ali dentro. Ele apronta até mesmo com Percy Wetmore, que fica muito assustado com o fato, inclusive urinando nas próprias calças depois do nervoso e medo que experimentou nas mãos de Wild Bill - e em seguida ameaça o resto dos policiais de demissão, porque se alguma coisa a respeito daquele incidente se espalhasse, todos eles perderiam seus empregos, já que ele possuía conexões importantes.

É ele também que mata Mr. Jingles um dia, feliz por finalmente ter eliminado o rato que tanto lhe incomodava em proporções maiores do que o normal. Desesperado, a dor de Delacroix ao perder o seu animal de estimação é comovente - e os policiais ficam assustados com a crueldade e aparente insanidade de Percy também. É nesse momento que John Coffey pede para que lhe tragam o ratinho, dizendo que talvez ainda haja tempo para ele.

Sem entender nada, os policiais entregam o ratinho - e vêem Coffey trazê-lo de volta a vida, utilizando os mesmos poderes e o mesmo processo anteriormente empregado na infecção de Paul Edgecomb. Dessa vez, há testemunhas, sobretudo Delacroix - que não consegue expressar sua gratidão em palavras ao ver seu caro Mr. Jingles de volta. Percy, ao saber do ocorrido, recusa-se a acreditar em qualquer coisa como um milagre e se sente pessoalmente ofendido.

A vingança do guarda se dá da pior maneira: durante a execução de Delacroix. Ele havia pedido para o chefe da seção (Paul Edgecomb) para comandar uma única execução e então se mudaria para outro cargo, deixando o resto dos policiais livres dele, fato que todos enxergam como sendo benéfico. Cabe à pessoa que lidera às execuções na cadeira elétrica a colocar uma esponja cheia de água sobre a cabeça do condenado (em um lugar onde o cabelo foi previamente raspado) para que a eletrecidade seja conduzida mais rapidamente pelo corpo do preso e assim, ele morra mais rapidamente e sem tanto sofrimento. No entanto, seu ódio pelo antigo dono do ratinho faz com ele coloque a esponja seca na cabeça de Delacroix e autorize a execução.

A cena é grotesca: os gritos, a duração dos choques e o cheiro que a atitude de Percy causam chocam policiais e sobretudo as pessoas que vieram assistir à execução. Enquanto isso, John Coffey fica com Mr. Jingles nas mãos, aparentemente sentindo uma parcela da dor de Delacroix, inclusive fazendo com que o ratinho escapulisse das suas mãos e fugisse da prisão. As lâmpadas ao longo do corredor da prisão estouram na medida em que Coffey se esforça para minimizar o sofrimento do antigo colega de prisão.

Dois importantes fatos se seguem então: convencidos dos poderes sobrenaturais que Coffey possui, os guardas, liderados por Paul Edgecomb, traçam um plano para levá-lo até a esposa do chefe deles (James Cromwell), que tem um tumor no cérebro e que está provocando a sua morte. No meio do plano, eles acabam também punindo Percy pela execução de Delacroix, deixando-o amordaçado e preso numa camisa de força dentro da solitária. No entanto, antes que consigam sair com John Coffey pelo
corredor, ele é agarrado por Wild Bill e algo estranho se dá entre eles - algo que deixa Coffey profundamente perturbado mas que ele não confidencia a ninguém.

A cura do câncer funciona perfeitamente - e as demonstrações que cercam a todos enquanto o processo ocorre são fortes demais para serem ignoradas, como por exemplo a casa toda tremendo. Dessa vez, porém, Coffey não retira de dentro de si o grande mal que absorveu, o que preocupava gravemente os policiais. Mas também, eles não julgam Coffey por isso - se ele prefere morrer de câncer a morrer na cadeira elétrica, ninguém o culpa por isso.

Mais tarde John Coffey acaba conseguindo punir os dois "homens maus" que existiam por perto segundo ele (Wild Bill e Percy Wetmore), cada um recebendo um castigo diferente. Conforme a execução de Coffey se aproxima, os policiais tentam fazer de tudo para ajudá-lo, ainda mais por saberem que ele é, no final das contas, inocente - mas o gigante se recusa a continuar vivendo em um mundo onde tanta desgraça e dor existem. Com uma refeição diferenciada e tendo o desejo de assistir a um filme atendido, ele é levado para a sua execução, onde os guardas mal conseguem conter a emoção.

A execução dele se dá sem o capuz que os presos normalmente vestiam - ele continua tendo medo do escuro. Os pais das garotinhas assassinadas aparecem para o acontecimento assim como um bom número de pessoas, todas condenando Coffey, um homem bom e que é definitivamente um milagre enviado por Deus para a Terra. Paul não sabe como Deus irá perdoá-lo por ter matado um dos seus milagres, e ele se desliga do corredor da morte pouco depois.

O filme retorna ao presente, com o já velhinho Edgecomb finalizando sua história, que não convence a amiga que a ouviu pacientemente. Mas ainda existem provas da veracidade dos fatos que deixam a senhora perplexa - bem como todos os espectadores. O final, com linhas poéticas carregadas de emoção, levam qualquer um às lágrimas e indagações profundas a respeito do mundo e da sua cruel realidade.

O filme é longo, com praticamente três horas - mas não se sente o tempo passar. O filme é uma verdadeira obra de arte do gênero dramático - como não chegar às lágrimas assistindo a esta história? Como não torcer e não se emocionar com a simplicidade de Coffey, odiado por algo que não cometeu?

Tom Hanks está fantástico na pele de Paul Edgecomb, conduzindo a história lado a lado com Michael Clarke Duncan. Sua atuação como John Coffey é espetacular, tão intensa e tão cheia de emoção que muitas vezes eu me esquecia de que aquilo era um filme. Não é à toa que seu papel neste filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar por melhor ator coadjuvante - troféu que ele, infelizmente, não levou para casa.

A adaptação da obra também é fiel, embora conte com algumas mudanças. Ela foi feita integralmente pelo diretor (que também recebeu uma indicação ao Oscar pela adaptação), que com habilidade extraiu o máximo dos atores em cena, guiando esse filme memorável. As pequenas atuações, de personagens que não concentram o foco da trama - seja da esposa de Paul, seja do seu chefe, seja dos outros guardas que não têm tanto destaque - dão uma incrível noção de realidade para o filme, apesar do seu forte caráter de mistério e de ser sobrenatural.

Não tenho motivos para acreditar que a adaptação cinematográfica fique devendo em qualquer aspecto ao texto original que lhe inspirou. Stephen King deve ter ficado muito orgulhoso de ver suas palavras adquirirem três dimensões tão sólidas na frente dos olhos de todos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Razão e Sensibilidade (1995)



Nome: Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility).
Diretor: Ang Lee.
Gênero: Drama/romance/comédia.
Elenco: Emma Thompson, Alan Rickman, Kate Winslet, Hugh Grant e outros.
Nota: 4 estrelas.
Página no IMDb

Adaptação do livro de mesmo nome da escritora britânica Jane Austen, críticos da sua obra dizem que Razão e Sensibilidade é o seu livro mais fraco, mas a fonte de um filme maravilhoso. A transformação para o cinema foi feita pela própria Emma Thompson, atriz que também participou do filme.

O filme começa com a morte de Mr. Dashwood, que deixa a sua segunda esposa com três filhas de diferentes idades sozinhas. Ele implora no seu leito de morte para que seu filho (do primeiro casamento) não deixe as garotas abandonadas - mas a sua nora é gananciosa e no final, a soma que fica de fato para as irmãs é ínfima.

Sabendo que perderão a casa onde vivem atualmente para o filho homem de seu pai no primeiro casamento, nenhuma das três irmãs Dashwood está feliz com a situação, mas demonstram seu descontentamento de maneiras diferentes: Elinor (Emma Thompson) é prática, reprime suas emoções e é extremamente racional; Marianne (Kate Winslet) é mais nova e emotiva, amante da poesia e de sentimentos fortes e intensos. Por fim, Margaret (Emilie François) ainda é muito nova para se envolver em relacionamentos, mas tem criatividade e inteligência de sobra.

John Dashwood (James Fleet) é o filho de Mr. Dashwood que herdará a casa, e ele chega à mesma junto com sua esposa - uma mulher extremamente arrogante e desagradável com todos, que não faz questão alguma de esconder que quer as três irmãs e a senhora Dashwood o mais rápido possível fora dali.

O cunhado de John Dashwood chega à mansão para passar alguns dias com a irmã, e quando todas já se preparam para mais um homem intragável, a família Dashwood se supreende com Edward Ferrars (Hugh Grant), um galante e educado homem que estima muito as três irmãs e convive amigavelmente com todas. No entanto, é com Elinor que ele desenvolve uma ligação mais profunda, e mesmo a mais racional das irmãs não consegue negar que sente algo por Edward quando elas recebem a notícia de que um primo distante tinha um chalé vazio no qual elas poderiam morar confortavelmente.

A partida é triste, mas Edward promete visitá-las na nova casa em breve. Assim que chegam ao novo chalé com apenas dois dos antigos criados, elas conhecem o dono daquelas terras: o distante primo dos Dashwood, Sir John Middleton (Robert Hardy) que é viúvo e mora com sua mãe, a fofoqueira e animada Mrs. Jennings (Elizabeth Spriggs). Eles insistem em fazer as refeições junto às irmãs e a senhora Dashwood, sob a desculpa de que não há muito o que fazer por lá - alertando Elinor, inclusive, de que seu amor misterioso será descoberto um dia, porque ninguém guarda segredos ali.

Durante uma tarde na casa de Sir John, todos se retiram para a sala de música para ouvir Marianne tocar - excelente pianista, a garota adora cantar também e é durante essa pequena apresentação que o Coronel Christopher Brandon (Alan Rickman) conhece a sensível Marianne e se apaixona por ela. O Coronel e Sir John são amigos de longa data, de quando lutaram juntos na guerra na Índia.

O interesse do Coronel em Marianne é o que Mrs. Jennings precisava para animar os arredores, e começa a pensar em como casá-los apesar da idade do Coronel - ela se orgulha da incrível quantidade de casamentos perfeitos que já arrumou, incluindo sua filha. Mas a própria Marianne não liga muito para isso e despreza o Coronel, ficando muito mais encantada com outro homem - John Willoughby (Greg Wise), um nobre que a encontra na chuva, justamente quando ela havia torcido seu tornozelo e estava em apuros.

Os dias prosseguem calmamente, sendo que Edward nunca as visitou ou escreveu - salvo por uma vez, para enviar um presente à Margaret. Willoughby e Marianne parecem cada vez mais apaixonados, com interesses em comum e passando todo o tempo juntos, coisa que evidentemente magoa o bondoso Coronel. Mesmo assim, ele convida a todos para um piquenique nas suas terras, quando a chegada de uma carta de conteúdo desconhecido faz com ele parta subitamente e cancele o passeio. Suspeita-se que seja relacionada ao seu passado nada feliz.

Uma manhã Willoughby pede a Marianne uma conversa em particular, e enquanto todos esperavam que uma proposta forma de casamento viria dele, é a sua partida imediata para a capital que ele declara, sem explicar direito seus motivos. Marianne cai em depressão, uma que parece tão funda a ponto de ninguém conseguir ajudá-la. Apenas a sugestão de uma viagem para Londres com Mrs. Jennings é que anima novamente a garota, mas traz desespero para Elinor ao mesmo tempo - ela conhece Lucy Steele (Imogen Stubbs) uma noite, que confessa estar noiva de Edward há anos, em segredo.

A estadia em Londres é confusa; Marianne manda várias mensagens para Willoughby, mas nenhuma é retornada. Ela o reencontra, finalmente, numa festa - mas com outra mulher. Marianne não passa bem e sai cedo do baile, no dia seguinte recebendo uma carta, onde Willoughby apenas diz que está compromissado com outra mulher, e que o casamento com ela não deverá tardar.

Elinor decide levar Marianne de volta para casa e pede ajuda para o Coronel para poder terminar o trajeto de Londres até o chalé onde residiam. O Coronel concorda imediatamente - e conta uma história do seu passado, que explica muito do seu comportamento e personalidade.

Porém, antes da partida das irmãs para o campo, Elinor recebe Lucy na casa de Mrs. Jennings na cidade e Edward aparece para visitá-la, encontrando ambas. No entanto, eles mal conversam e há uma atmosfera estranha entre todos.

Pouco tempo depois, a cidade inteira descobre sobre o noivado secreto de Lucy e Edward - o último sendo forçado a desfazer o compromisso ou ser deserdado. Leal à Lucy, ele se recusa a seguir as ordens da família e termina sem dinheiro algum. Marianne, nesse momento, começa a entender melhor algumas das ações de Elinor também.

O Coronel, ouvindo sobre a situação de Edward, propõe que ele vá morar em uma parte das suas terras com Lucy - já que ele conhece bem as dores de ser separado de alguém que se ama há muito tempo. É na casa da filha de Mrs. Jennings e de seu marido que eles param antes de chegar ao chalé, e é lá também que Marianne decide dar outro passeio que também acaba em chuva. Dessa vez, quem a resgata é o Coronel, que também busca a mãe das irmãs para ver Marianne quando esta adoece gravemente.

Ela se recupera e quando todas já estão de volta ao chalé, o Coronel também passa uma boa parte do seu tempo por lá, ajudando na recuperação de Marianne. Ele também a presenteia com um piano, e é enquanto ela já treinava a música que ele enviou junto com o instrumento que uma visita inesperada chega, com notícias ainda mais arrebatadoras - e um final feliz para todos se segue.

O filme é magnífico. Ang Lee conseguiu capturar a essência do livro, que realmente passeia pelo drama, pelo romance e também pela comédia. A grande sensibilidade desse diretor para focar os sentimentos humanos e tirar atuações esplendorosas dos atores iria se tornar muito mais famosa com o seu trabalho em Brokeback Mountain, mas já pode ser definitivamente notada aqui.

Os quatro atores principais estão formidáveis, mas o elenco de apoio não faz por menos - em especial Margaret. A personagem não tem tanto espaço assim no livro, mas acrescenta todo um charme e graça à película que é indiscutível. Os cenários e os detalhes de época também são de encher os olhos.

Existe uma cena em particular que costuma encantar todos os fãs de poesia e em especial, da voz de Alan Rickman: o momento em que ele lê algumas linhas para Marianne é altamente celebrado por todas as suas fãs, e é de fato uma cena tocante que pode ser inclusive conferido em sites como o YouTube.

É uma linda produção que merece todas as críticas positivas que ganhou até hoje, sem exceção. Um lindo contraponto entre razão e sensibilidade que é tão comum dentro de todos nós.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O Patriota (2000)



Nome: O Patriota (The Patriot).
Diretor: Roland Emmerich.
Gênero: Ação/drama/guerra.
Elenco: Mel Gibson, Jason Isaacs, Heath Ledger, Joely Richardson e outros.
Nota: 3 estrelas.
Página no IMDb

O Patriota é o tipo de filme que todo mundo assistiu, mesmo que não por inteiro. Pode ter sido na televisão aberta, em uma loja de eletrônicos ou ainda na escola como complemento em História quando se estudou a Independência Americana - meu caso, por sinal.

Estamos no final do século XVIII, no estado da Carolina do Sul. Benjamin Martin (Mel Gibson) é o pai de sete crianças e vive em uma grande fazenda, longe da cidade. O correio é o único contato que eles possuem com a vida na cidade, e logo fica claro que a guerra pela independência das colônias está chegando ali também.

Gabriel (Heath Ledger), o filho mais velho de Benjamin, está ansioso para lutar como soldado, mas seu pai sabe dos horrores que um confronto como esse traz, ele mesmo sendo um antigo soldado aclamado. No entanto, isso não impede que ele se aliste na primeira visita à cidade que a família faz.

No entanto, não é porque Benjamin escolheu ignorar a guerra que ela decidirá fazer o mesmo. Dois anos depois da partida de Gabriel, ele retorna ferido até a sua casa, transportando documentos de guerra. Naquela mesma noite, a guerra chega até a fazenda de Benjamin e todos podem ver os corpos de soldados americanos e ingleses espalhados pelo chão na manhã seguinte, alguns ainda vivos.

Eles decidem recolher e tratar os feridos, sem distinção de nacionalidade. Quando os empregados da casa e a família de Benjamin estão ocupados com os combatentes, um oficial inglês chega ali e agradece pela ajuda, mesmo sendo do lado inimigo. No entanto, o clima de cordialidade é quebrado com a chegada de um outro militar, Coronel Tavington (Jason Isaacs), um combatente inteligente, arrogante e sobretudo cruel.

Com ordens rápidas e sem qualquer remorso aparente, o coronel manda seus soldados matarem todos os americanos que estavam se recuperando, levando os ingleses para serem tratados pelos seus próprios médicos. É nesse momento que ele decide levar Gabriel com ele também para ser posteriormente enforcado - apesar das leis de guerra impedirem isso.

Em uma tentativa vã de salvar o irmão, o segundo filho mais velho de Benjamin é assassinado cruelmente pelo coronel, deixando o patriarca desesperado e em fúria também. Com a casa destruída por ordens de Tavington por ter abrigado ingleses, ele deixa seus três filhos menores nas ruínas da mesma e parte com outros dois para as matas, seguindo o cortejo que levava Gabriel prisoneiro.

Sozinhos, eles conseguem não somente matar todos os soldados ingleses como resgatar Gabriel, que não perde tempo em vestir seu uniforme e partir novamente para a guerra. Benjamin, então, decide deixar seus outros filhos com a irmã de sua falecida esposa, Charlotte (Joely Richardson) e acaba se unindo ao seu filho mais velho, ambos agora lutando pelo futuro Estados Unidos da América.

Para Benjamin, é claro que os colonos nunca irão ganhar dos ingleses em batalhas convencionais - eles estão melhor armados, preparados e em maior número do que os colonos. A saída, portanto, é lutar de uma forma diferente: organizando uma milícia, pai e filho começam a recrutar colonos que possam lutar com eles, aproveitando o conhecimento da geografia local de cada um deles para formar um grupo paramilitar comandado por Benjamin, que começa a ter sucesso e monta seu "quartel general" em um pântano.

A principal tática no começo é o roubo de armas, alimentos, roupas e tudo mais que eles encontrassem - incluindo os cachorros e uma boa quantidade de objetos pessoais de Lorde Cornwallis (Tom Wilkinson), o grande responsável pelo exército britânico na Carolina do Sul. É esse roubo, especialmente o dos cachorros, que faz com que Lorde Cornwallis autorize a utilização de ténicas brutais e mais cruéis por Tavington, na esperança de deter a milícia. Antes fica bem claro que esses métodos nada usuais de Tavington são desprezados por Cornwallis, que responde pelos abusos do seus subordinados - e falar em abusos é diminuir a crueldade de Tavington, que ganhou o curioso apelido de "o açougueiro" da população local.

É com essa autorização que o coronel então persegue a família de Benjamin na casa de Charlotte, mas eles conseguem escapar e são liderados para uma ilha de escravos libertos, onde podem ficar em segurança. Gabriel se casa, Benjamin e Charlotte iniciam um relacionamento e algum período de paz se passa entre eles até o retorno para a guerra ou para as cidades, quando a esposa de Gabriel (Lisa Brenner), juntamente com todos os moradores da sua vila, são queimados vivos dentro da igreja local.

Ao encontrarem a vila destruída, muitos saem em busca de vingança, indo atrás dos ingleses e em especial, do Coronel Tavington. Gabriel, tomado por grande desespero e fúria ainda maior, consegue eventualmente acertar um tiro em Tavington - mas é o inglês que vence a batalha no final, ferindo mortalmente o filho mais velho de Benjamin e deixando este em profundo desespero depois.

Desse momento para a batalha final, muita coisa acontece; membros da milícia escapam da forca com um plano engenhoso de Benjamin, que troca ameaças de morte com Tavington. O grande trunfo dos colonos está no fato de que são uma organização paramilitar, freqüentemente subestimados pelas tropas britânicas - talvez o erro fatal em termos de estratégia da Inglaterra.

A batalha final conta com o esperado confronto pessoal entre Benjamin e Tavington, sendo que o resultado não é difícil de prever. Quando os ingleses batem em retirada da Carolina do Sul, vemos que pouco tempo depois eles são acuados pelo exército dos colonos e pela ajuda francesa que chegou pelo mar depois de meses de espera.

O primeiro alerta que eu considero pertinente a ser feito é sobre a veracidade dos fatos apresentados: enquanto os figurinos e os cenários são magníficos e dão a sensação de que estamos mesmo vendo algo que se passou séculos atrás, o filme não segue uma linha precisa ou verdadeira. Tanto Benjamin Martin quanto William Tavington são ficcionais e incorporam elementos de mais de uma personalidade daquela época. Não espere por grandes reviravoltas de enredo - a trama é previsível.

O meu maior problema com o filme é o modo como ele parece orbitar ao redor de Mel Gibson. Tudo na guerra parece depender única e exclusivamente dele - se ele lutar, os colonos ganham; se ele ficar em casa, não há esperança para ninguém. As características de um bom filme histórico estão lá, mas muito distorcidas pelo drama particular de um homem só, o que é pequeno se comparado ao tamanho da guerra - razão, aliás, que levou Harrison Ford a rejeitar o papel de Benjamin Martin.

Outra coisa é a capacidade do filme em manipular a audiência: tendo em Tavington o principal expoente do exército inglês, tende-se a acreditar que o comportamento dele era o modelo das tropas britânicas, quando ele é claramente uma exceção - uma fantástica e maravilhosa exceção retratada com maestria por Jason Isaacs, disparado o melhor ator em cena. Mas ainda sim, deve-se ter em mente de que é um filme americano, contando o lado dos mesmos.

Em relação a atuação do resto do elenco, eu não acho que ela seja muito digna de nota. Nenhum dos filhos de Benjamin, salvo por Gabriel, faz algo que mereça muito tempo de cena ou que seja memorável. A maioria dos personagens tem apenas duas dimensões - falta profundidade. Eu, pelo menos, não senti nenhum pesar ao ver tanta gente sendo queimada na igreja, porque eles simplesmente não inspiraram simpatia alguma antes.

No mais, o filme é uma boa diversão e é melhor se visto na versão estendida, com algumas cenas que humanizam mais o cruel Coronel Tavington (e nada se sabe sobre o porquê/como ele ficou assim). Encare esta película como um passatempo recheado de ação em cenários épicos - porque são esses os méritos do filme.

sábado, 29 de setembro de 2007

Duro de Matar (1988)



Nome: Duro de Matar (Die Hard).
Diretor: John McTiernan.
Gênero: Ação/suspense/policial.
Elenco: Bruce Willis, Alan Rickman, Reginald VelJohnson, Bonnie Bedelia e outros.
Nota: 5 estrelas.
Página no IMDb

O ano de 2007 trouxe a inesperada e quarta parte da série dos filmes Duro de Matar, como é conhecida a franquia estrelada por Bruce Willis na pele de John McClane. Continuações de um filme normalmente indicam que o original é bom - ou excelente, como é o caso aqui.

O filme se inicia com John McClane (Bruce Willis) dentro de um avião, obviamente desconfortável em estar ali. Assim que ele desembarca no aeroporto, é recepcionado por um desconhecido que se revela como o seu motorista, pronto para levá-lo até o prédio de uma grande empresa, conhecida como Nakatomi Corp (ou Coorporação Nakatomi).

É nessa grande empresa que está acontecendo uma festa de Natal para os funcionários que ainda estão por lá, celebrando as conquistas financeiras e o feriado natalino ao mesmo tempo. Conhecemos então Holly Genero (Bonnie Bedelia), que parece dividida entre o trabalho e as crianças que deixou em casa. É ela, também, o propósito da visita de John ao prédio.

Assim que os dois se encontram, o casal se dirige para um lugar mais privado onde podem conversar enquanto John aproveita para se arrumar depois do vôo de avião de Nova York para Los Angeles. Separados no momento, John deixa claro que não se importaria em passar o feriado com seus filhos e a esposa, que também não parece ter nenhuma objeção à oferta. No entanto, a discussão acaba tomando rumos perigosos ao chegar no trabalho de Holly, quando os dois brigam sobre problemas que nunca ficaram bem resolvidos entre eles.

Enquanto isso, na garagem do prédio, um caminhão de uma transportadora estaciona e vários homens desembarcam do mesmo, caminhando para dentro da construção. Na portaria, o pobre segurança acaba baleado e substituído por um dos homens do bando, o outro segurança do hall dos elevadores também sendo assassinado em segundos. Com algumas alterações no computador do prédio, os elevadores são todos travados e os convidados da festa ficam presos no alto do prédio sem perceber nada.

Com armas automáticas e pouco espírito natalino, o grupo pega o único elevador que havia ficado desbloqueado e sai no andar da festa, rapidamente espalhando pânico quando alguns tiros são disparados para que todos os presentes fiquem reunidos no mesmo canto. O aparente líder do grupo começa a falar então, incentivando o presidente da empresa a aparecer e sai com o mesmo da sala depois.

John, enquanto isso, reparou que algo de muito errado está acontecendo no prédio; enquanto Holly teve de sair do banheiro para discursar na festa, ele ficou para trás e conseguiu fugir pela saída de incêndio, descalço e carregando apenas seu revólver. Ele consegue encontrar a sala para onde o presidente havia sido levado, e assiste à execução do mesmo quando ele se nega a ajudar o grupo a organizar um roubo do cofre do prédio.

Nesse momento, a presença de John quase é descoberta pelo grupo, mas ele consegue escapar. Acionando o alarme de incêndio do prédio, ele tenta chamar a atenção dos bombeiros para a empresa, mas um dos integrantes do grupo informa aos bombeiros que era apenas um chamado falso. Esse chamado, no entanto, deu a certeza para todos de alguém mais está no prédio, e um dos integrantes do grupo vai atrás de John.

Com astúcia e uma boa dose de sorte, John não só escapa vivo como rouba a arma do bandido que morreu ao despencar de uma escada com ele. Roubando o rádio e outras coisas que o assaltante carregava com ele, John manda o cadáver pelo elevador, enviando um recado para o resto do grupo rabiscado no suéter do bandido morto: ele esta solto e melhor armado.

O chefe dos bandidos começa a ficar realmente preocupado agora, contendo os ânimos dos outros integrantes e ordenando que o plano siga como o combinado. A maioria aparenta ser de origem alemã e certamente é o caso do líder, Hans Grüber (Alan Rickman), que logo começa a ouvir uma transmissão feita por John do topo do prédio pelo rádio que ele possui, tentando avisar a polícia do que está ocorrendo na empresa e sobre os planos dos bandidos também.

Enquanto John corre pelo prédio e tenta se livrar dos assaltantes, a polícia não leva seu alerta muito a sério; afinal, é dia de Natal e as chances de terroristas estarem em um prédio comercial são quase nulas, sem contar que o chamado para os bombeiros anteriormente feito havia sido classificado como trote. No entanto, um carro de patrulha é enviado para o prédio.

O único policial que vai até a empresa, sargento Al Powell (Reginald VelJohnson) é enganado pelo bandido que se faz passar por porteiro e acaba indo embora. No entanto, quando estava prestes a sair do pátio da empresa, um corpo cai sobre o seu carro - o suficiente para que ele peça desesperadamente por reforços e confirme a transmissão anterior de John como verdadeira.

Até a chegada dos reforços, John continua diminuindo o número de terroristas dentro do prédio, que enquanto isso trabalham arduamente para conseguir invadir o cofre e roubar o conteúdo do mesmo. A mulher de John fica no comando agora, com o seu chefe assassinado, sem saber onde ou como seu marido está, mas confiante de que a irritação do grupo de terroristas significa que ele está vivo.

Quando a polícia chega, o sargento e John começam a se comunicar, sendo que John não pode revelar sua identidade porque os terroristas a descobririam imediatamente pelo rádio. Há o problema da sua conexão com Holly - ela estaria em um perigo ainda maior se soubessem que ela é a mulher (ou ex-mulher) dele, mãe dos seus dois filhos.

O filme prossegue com a caçada mais improvável de todas: John McClane contra um grupo de doze terroristas sob o comando do inteligente Hans Grüber, que se confronta pessoalmente com John em duas ocasiões. Mas é pelo rádio, no entanto, que John fala uma das suas frases mais célebres - e de quebra uma das mais memoráveis da história do cinema também: "Yippee-ki-yay, motherfucker". Ela se repete, aliás, em todas as seqüências da franquia.

Do lado de fora, a polícia age exatamente do jeito que John previra - ineficiente e só causando mais problemas. A exceção se dá na forma do sargento Al Powell, que confia e acredita em John mesmo antes de ter sua identidade confirmada. É esse sargento, também, que tem um papel importante no final do filme.

Duro de Matar é um clássico do gênero de ação, e não é difícil perceber por quê. Nas suas duas horas e quase meia de filme, é impossível desgrudar o olho da tela, por mais improvável e impossível que a tarefa de John McClane seja.

A trama se desenrola dentro do mesmo prédio o filme inteiro, e isso não segura o ritmo ou deixa o filme menos interessante; o modo como John se livra de todos os problemas que aparecem é bem real, embora provavelmente não seja possível para a maioria esmagadora das pessoas.

Outro ponto alto do filme é o grande vilão, espetacularmente representado por Alan Rickman. Eu sou uma fã confessa desse renomado ator britânico, mas é inegável o talento que ele demonstra na película - tanto que seu papel em Duro de Matar foi tido como um dos melhores vilões nos últimos 100 anos de cinema, ficando na 46ª posição. A lista foi feita pelo Instituto Americano de Filmes em 2003, que escolheu os 50 maiores heróis e os 50 maiores vilões.

O enredo é simples mas cativante, carregado por performances excelentes e com personalidade. Em especial Bruce Willis, cujo personagem pode estar na maior enrascada, mas de alguma forma ele ainda consegue insultar Hans ou então fazer uma piada consigo mesmo. Mesmo os atores coajuvantes, numerosos dado o tamanho do bando de Hans, também tem cada um a sua forma de incrementar a trama.

Em suma, imperdível. E o título, tanto o original como em português, faz jus ao personagem principal da trama.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Terno de Dois Bilhões de Dólares (2002)



Nome: O Terno de Dois Bilhões de Dólares (The Tuxedo).
Diretor: Kevin Donovan.
Gênero: Ação/comédia/ficção científica.
Elenco: Jackie Chan, Jennifer Love Hewitt, Jason Isaacs, Ritchie Coster e outros.
Nota: 2 estrelas.
Página no IMDb

Jackie Chan é um ator bem conhecido de qualquer público, ocidental ou oriental. Famoso por fazer ele mesmo as cenas que normalmente pedem por dublês, não raro ele se machuca ou dá ensejo a cenas hilárias que ficam para aquelas cenas depois dos créditos ou em extras de DVDs.

E sobretudo, há luta. Muita luta. O quê chama a atenção nesse filme é justamente a falta dela - ou o jeito com ela é feita. Na trama, Jimmy Tong (Jackie Chan) é um motorista de táxi, admirador de uma funcionária de uma galeria de arte. Sem coragem de convidá-la para sair, após uma tentativa frustrada de um convite, ele derruba sem querer um ciclista desavisado com a porta do seu táxi - em uma cena bizarra e ao mesmo tempo cômica, na rua de uma movimentada cidade americana.

Após se safar do ciclista irritado, ele cai no colo de uma mulher sentada dentro do seu carro. Ela lhe indica o endereço do destino e faz uma aposta: se ele chegar ao lugar desejado antes dela terminar de aplicar a maquiagem, ela vai dobrar o valor da corrida. Jimmy, claro, aceita o desafio e dirige como um louco pelas ruas.

No final, ele consegue completar o desafio e ela se apresenta como Steena (Debi Mazar), em seguida contratando-o para um novo emprego. Com um salário maior além de casa e roupas novas, ele vira o motorista de Clark Devlin (Jason Isaacs), um homem riquíssimo sobre quem ele não conhece nada.

Seu emprego novo tem regras; muitas delas. A mais importante é justamente não falar com o patrão, coisa que Jimmy faz logo no seu primeiro dia como motorista. E para a surpresa do mesmo, Clark Devlin odeia as regras e se mostra um patrão ideal, propenso a dar conselhos e presentes ao seu motorista.

Uma noite, após deixarem o drive thru de uma cadeia de fast-food, Jimmy quase atropela um sujeito - que vai embora xingando o motorista, não sem antes grudar um dispositivo estranho no porta-malas do carro. Minutos depois, um skate começa a seguir o carro, e quando Jimmy pergunta ao seu patrão por que eles estão fugindo de um skate, o mesmo responde: "É uma bomba".

Bomba de fato. Presos em um beco sem saída, os dois homens saem correndo do carro que explode, ferindo gravemente o misterioso chefe de Jimmy na cabeça. Atordoado, o motorista vê a identidade do seu patrão se transformar na frente dos seus olhos enquanto Clark murmura algo que o outro registra como um nome: Walter Strider.

Com Clark Devlin fora de cena, Jimmy retorna à mansão para procurar mais detalhes sobre o suposto Walter Strider enquanto seu patrão está no hospital. É nessa hora que ele decide provar então um terno que, ao contrário dos outros, fica protegido por uma redoma de vidro e o qual ele havia jurado não mexer na presença do seu chefe. Mas como ele não está lá...

É dada a partida para o principal mote do filme: o terno, na verdade, é um protótipo de uma arma do governo americano, com mais habilidades do que qualquer um sonharia. Sim, você leu certo: o terno é uma arma. O relógio que Jimmy usa no pulso controla as funções da roupa, e em segundos, ele começa a testar logo o modo "demolidor".

Com o patrão inconsciente e sem saber direito o quê está acontecendo, Jimmy assume o seu lugar e passa a trabalhar com Del Blaine (Jennifer Love Hewitt), uma agente secreta da mesma agência de Steena. Sem a menor idéia sobre o projeto em que eles estariam trabalhando, Jimmy vai enganando a moça até finalmente descobrir que eles estão monitorando um certo Dietrich Banning (Ritchie Coster), presidente de uma empresa de água engarrafada que parece ter alguns planos sinistros sob a manga.

Sem nunca tirar o terno, Jimmy vai descobrindo aos poucos as funções do mesmo enquanto tenta desvendar os planos de Banning ao lado de Del Blaine. Problemas de comunicação entre eles não são raros e eles sempre conseguem atrair confusão e problemas em todas as vezes - por mais que no final, eles consigam se livrar deles e impedir um estranho tipo de dominação mundial por parte de um vilão esteriotipado.

O filme é esquisito, para dizer o mínimo. A interação entre Jackie Chan e Jennifer Love Hewitt deixa muito a desejar e me pareceu forçada em várias cenas. A personagem Del Blaine também não me convence - eu nunca entendi se ela é experiente ou novata em missões de campo, se ela está tentando ser chata ou engraçada; falta alma, simplesmente.

As lutas de Jackie Chan são dispensáveis. Com um terno que supostamente faz tudo para ele, o ator está sempre preso por fios e envolvido em cenas à la Matrix, algo totalmente dispensável. O enredo que revolve em torno de um terno tecnológico, a dominação do mundo pela contaminação da água potável por insetos e uma agência secreta complicada de entender também não ajuda.

Eu esperava que a estréia de Jackie Chan nos cinemas ocidentais com seu primeiro papel de destaque fosse melhor. Bem melhor. Os fiéis fãs do ator certamente não gostaram a multidão de efeitos especiais e CGI onde poderia ter havido luta (e comédia!) real.

O carisma de Jason Isaacs (a interação entre ele e Chan é a melhor parte do filme) é inegável mas não segura um filme inteiro onde seu personagem não aparece direito. A participação especial de James Brown também é interessante, mas são esses os pontos fortes da trama. Se é que podemos chamar esse roteiro estranho e nada plausível de trama.

A minha conclusão é de que o filme é melhor do que não fazer nada por uma hora e meia, mas não vai além disso.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra (2003)



Nome: Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl).
Diretor: Gore Verbinski.
Gênero: Ação/aventura/comédia/fantasia.
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Keira Knightley e outros.
Nota: 5 estrelas.
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Assim que eu saí da sala de projeção, eu sabia que Piratas do Caribe era especial. Depois da trilogia do Senhor dos Anéis (que eu fiz de questão de ver cada filme por três vezes por gostar demais do livro), Piratas foi o primeiro filme que me causou essa mesma sensação de precisar ver tudo de novo - e eu de fato retornei ao cinema para rever o filme que se tornaria a primeira parte de uma triologia.

O filme trouxe de volta um gênero que não aparecia no cinema há um bom tempo: a pirataria. Baseado em um dos brinquedos dos parques da Disney, Piratas do Caribe não foi preparado para ser um sucesso ou para ter continuações, um dos fatores que provavelmente deram toda a graça e o charme peculiar desse filme que, embora seja da Disney, ao mesmo tempo parece não pertencer a ela e aos seus filmes "comportados".

A história se passa no séc. XVIII, no Caribe, terras comandadas ainda pela Inglaterra. Somos primeiramente apresentados à Elizabeth (Keira Knightley) e Will (Orlando Bloom), amigos de infância que se conheceram por acaso durante a travessia marítima da Inglaterra para a América quando crianças.

Já crescidos, não é difícil perceber que o jovem vê em Elizabeth um pouco mais que uma simples amiga - mas as diferenças sociais entre eles deixam tudo isso no plano das idéias. Enquanto isso, vemos a entrada de um homem incomum, com o equilíbrio e voz de um bêbado, além de alguns trejeitos meio afeminados: Jack Sparrow (Johnny Depp), mais tarde revelado um pirata ao salvar Elizabeth de um possível afogamento (tudo culpa de um espartilho muito apertado e uma proximidade perigosa do mar).

É trancado em uma cela que ele vê um navio fantasma começar a atacar a cidade, desesperando os moradores. O navio aparentemente não é nenhuma surpresa para Jack, ou o jeito como a sua tripulação amaldiçoada se comporta - mas o resto da vila, em pânico, pensa diferente. Por fim, dois piratas encontram Elizabeth, que pede pelo parlay - direito de falar com o capitão do navio ao qual os dois piratas pertenciam, e assim ela é levada até a presença do temido Capitão Barbossa (Geoffrey Rush).

Elizabeth então consegue fazer com que os ataques parem e que o navio se retire, tudo em troca de um medalhão que ela carrega consigo desde o dia em que conhecera Will em alto-mar, quando criança. Barganha terminada, os piratas se retiraram para alto-mar... Junto com Elizabeth.

O seqüestro da filha do governador não tarda a se espalhar e Will logo se voluntaria para salvá-la - mas não é o único tomado por preocupações ou afeição por Elizabeth: Comodoro Norrington (Jack Davenport), a máxima autoridade da marinha britânica na cidade, deixa isso bem claro.

Decidindo tomar medidas drásticas, Will vai até a cadeia e encontra Jack Sparrow ainda preso por lá - os piratas deixaram-no lá de propósito após encontrarem-no na noite passada. Will pede pela ajuda do pirata para ir atrás de Elizabeth - já que os seqüestradores são piratas também - mas Jack só concorda ao saber do nome completo de Will: William Turner.

Enganando a marinha e roubando um navio, os dois saem atrás de Barbossa e sua temível tripulação do Pérola Negra, um navio tido como fantasma que assombrava as ilhas caribenhas com lendas mórbidas. No meio do caminho, um tesouro amaldiçoado que precisa ser devolvido, a constante troca de lados de Jack Sparrow e seu envolvimento com Barbossa e o navio, bem como o triângulo amoroso formado entre Will, Elizabeth e Norrington.

O filme tem fôlego para resolver tudo isso e mais um pouco, dando origem a cenas hilárias e diálogos afiadíssimos - o diálogo é, afinal, um dos pontos fortes do filme. Como não foi projetado para ser um sucesso, nenhum dos produtores de Piratas se empolgou com a idéia de grandes gastos com efeitos especiais (embora as cenas com os piratas amaldiçoados sejam espantosas), reforçando as linhas dos personagens.

Os próprios personagens são um show a parte - principalmente Jack Sparrow. O capitão pirata de jeito estranho e moral duvidosa é disparado o papel de mais sucesso que Johnny Depp já encarou até hoje, o resultado do cruzamento de Pepe LePew e Keith Richards, segundo o próprio ator. Enquanto ele é a alma do filme, todos os outros personagens contribuem com visões e atitudes diferentes, especialmente no tocante à "mocinha" do filme - Elizabeth não tem medo de piratas, ou de bater neles.

Uma história bem amarrada, com cenas de luta excelentes e uma grande dose de humor original fizeram deste filme uma das maiores bilheterias da história do cinema com suas continuações, chegando ao ponto de alterar o brinquedo original da Disney que lhe deu origem: hoje, na atração, é possível ver as figuras de Jack Sparrow e Barbossa, por exemplo.

O filme teve censura livre do Brasil (mas foi classificado como PG-13 nos Estados Unidos por causa de "cenas assustadoras"), porém não se engane: é uma obra de arte fantástica, que diverte qualquer pessoa que parar por dez segundos em frente à tela. E é também meu filme favorito - algo que eu acho que não é mais surpreendente a esse ponto.

Yo ho, yo ho, a pirate's life for me.

Première

Sejam todos muito bem-vindos ao Sétima Artista, criação que se originou do meu grande amor pelo cinema - ou a "sétima arte", como ele é carinhosamente chamado.

Me considero cinéfila há alguns anos, e se existe algo que me dá prazer é ver um bom filme, comparar trabalhos de atores e diretores, buscar informação sobre a produção de cada película. Ver um filme é como entrar na mente de uma outra pessoa, é como ver o mundo com outros olhos - mundos fantásticos que nunca existiram, mundos antigos onde não vivemos, mundos paralelos ao nosso que nunca prestamos atenção antes.

Gosto de analisar todos os filmes que assisto, de tecer comentários e fazer recomendações - e decidi escrevê-los aqui. Não tenho grandes ambições com este projeto, mas o simples fato de poder fazê-lo já me dá uma imensa alegria.

Os posts vão funcionar sempre do mesmo jeito: começo com o título do filme divulgado no Brasil e o ano do seu lançamento. Depois, no post, virão o poster do filme, seu nome novamente junto com o nome original, o diretor, gênero, elenco, minha nota (indo de 1 estrela (perda de tempo) a 5 (fantástico) estrelas) e um link para a página do filme no IMDb, a base de filmes da internet. Possivelmente o site com mais informações sobre cinema do que qualquer outro na web.

Em seguida, a minha própria resenha - eu não vou colocar spoilers (contar detalhes do final) primeiramente, mas se eu fizer isso em algum momento, avisarei. Tenham em mente que meu julgamento dos filmes é sempre parcial, afinal, eu tenho minhas preferências. As tags (ou "marcadores de postagem") ao final de cada post vão conter os nomes dos atores, diretor e os gêneros dos filmes, para facilitar buscas no futuro quando eu tiver feito mais resenhas.

Espero que aproveitem o passeio e qualquer coisa, é só me escreverem. O e-mail para contato é setima.artista@gmail.com, e os comentários funcionam bem para isso também.

Bom filme!